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Resenha #174: A Máquina de Caminhar - Cristovão Tezza

Título: A Máquina de Caminhar
Autor: Cristovão Tezza
Editora: Record
Edição: 1
ISBN: 9788501104694
Gênero: Crônicas brasileiras
Ano: 2016
Páginas: 192

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RESENHA


Cristovão Tezza é um nome bem forte em nossa literatura contemporânea, tendo seu  Romance O Filho Eterno consagrado com os principais e mais importantes prêmios literários do Brasil, entre eles o Jabuti, além de traduções para uma dezena de países. Quando a record anunciou o lançamento de A Máquina de Caminhar, fiquei na vontade solicitar para conhecer a escrita do autor, e foi o que fiz.

Neste livro, encontramos 64 crônicas escolhidas por Christian Schwartz. Todas elas foram publicadas anteriormente no jornal paranaense Gazeta do Povo, onde Tezza trabalhou por mais de seis anos como cronista e recebendo ilustrações do artista Benett

Nos pequenos textos que não passam de três páginas, encontramos o Tezza em pessoa, não escondido atrás de um romance e um história ficcional, mas suas ideologias e pensamentos acerca do mundo e tudo o que acontece a sua volta. E é a partir de pequenos acontecimentos do cotidiano que ele fala, seja numa ida a praia, ou a um jogo do Atlético paranaense, sobre os pequenos fatos da vida de uma forma despretensiosa e clara. Em uma das crônicas, a mais tocante, é a que ele fala da morte do Gabriel García Márquez, o grande autor colombiano ganhador do nobel e autor de "Cem Anos de Solidão".

O que ganha destaque em suas crônicas, além da simetria em manter sempre as 2.800 palavras, são as crônicas em que o autor falar de outros autores e como bom leitor, de outras obras literárias. Leitor ávido, era impossível não falar de literatura também e acabou que sendo as crônicas mais calorosas e convidativas para devorar as obras e autores citadas. 

O humor sagaz do autor é divertido e traz às crônicas um tom mais refinado, por exemplo, em "Fernanda e Gabriela", ele dialoga com as vozes do seu GPS e as trata como pessoas. Da comédia, ele passa pela melancolia em "Solidão Lunar" (que também é uma homenagem ao autor de ficção cientifica Ray Bradbury), depois navega pelas mazelas do século: a violência na internet; a falta de empatia e intolerância religiosa... Sem esquecer da politica e claro, o grande bloqueio de escrita, e o ócio do escritor sem assunto.

Para quem gosta de um livro para se ter na cabeceira e realizar uma leitura aos poucos, "A Máquina de Caminhar" é uma ótima pedida, cheio de indicações literárias, textos políticos reflexivos e no final um ensaio chamado "Um discuso contra o autor", que é mais um analise do gênero essencialmente brasileiro que é a crônica e suas definições.

Até logo,
Pedro Silva!

9

Resenha #173: Distância de Resgate - Samanta Schweblin

Título: Distância de Resgate
Autor: Samanta Schweblin
Editora: Record
Edição: 1
ISBN: 9788501107480
Gênero: Ficção latino-americana / Novela argentina
Ano: 2016
Páginas: 144

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RESENHA


Com uma narrativa fantástica e cheia de suspense, Samanta Schweblin constrói seu livro permeado de mistérios que vão sendo aos poucos desbravados pelo leitor corajoso que ousar dar continuidade a leitura de Distância de Resgate.


Mas o que é distância de resgate? Nada mais, nada menos do que um fio que liga a mãe a sua criança. A mãe é quem libera "corda" para que seu filho se distancie. Quanto mais distante, mais difícil o resgate, por isso, toda mãe quer seus filhos próximos de si para evitar acidentes.

Na história, uma família do interior da Argentina vive uma vida comum, apesar do patriarca passar a maior parte do tempo com seus cavalos, sedo um deles um garanhão reprodutor, seu preferido por justamente conceber cavalos de raça que serão vendidos para garantir o sustento da família. O pai dá mais atenção ao cavalo do que à esposa e principalmente ao próprio filho, Até que um dia uma doença estranha e desconhecida, provocada por agrotóxico, assola tanto o animal quanto o pequeno garoto chamado David. O cavalo não tem mais chances de sobrevive, porém, para David há uma esperança com 50% de ocorrer tudo bem, através da ajuda de uma curandeira da região.

Quem conta essa história é a Carla, mãe do David, para Amanda, que está junto com a filha Nina, de 4 anos, visitando o pequeno povoado onde tudo ocorreu Ao desenrolar da trama, os fatos vão se mesclando e ficando mais claros, e vamos descobrindo que a a distância de resgate pode ficar pequena e sem que nós mesmos percebamos, o fio se romperá.


Considero Distancia de Resgate uma das melhores leituras feitas ao longo de 2016, e foi uma relevação porque não estava com expectativas em relação a ele, primeiro porque a sinopse não diz nada demais e a autora era desconhecida a minha pessoa.

A narrativa é toda misteriosa, mesmo sendo um livro curto, a autora consegue escrever algo profundo, reflexivo e que, por mais que você leia numa sentada, haverá coisas perdidas ao longo da leitura que junto as indagações te fará querer relê-lo. Não que a autora deixe buracos na trama, mas é apenas algo tipico do realismo mágico deixar como normal para os personagens essas coisas que para nós podem ser absurdas. No fim, temos uma obra nada prolixa, mas que consegue envolver profundamente.

Leia-o e depois não esquece de passar aqui para comentar quais são as suas teorias sobre esse final.

Até mais!
9

Resenha #172: A Playlist de Hayden - Michelle Falkoff

Título: A Playlist de Hayden
Autor: Michelle Falkoff
Editora: Novo Conceito
Edição: 1
ISBN: 9788581637044
Gênero: Ficção jovem adulto
Ano: 2015
Páginas: 288


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RESENHA

Hayden e Sam sempre foram diferentes da maioria dos garotos da cidades. Ambos gostam de star wars, são fãs de bandas alternativas, curtem ler HQs e colecionar camisetas de bandas, além do mais passam horas no computador conectados a jogos de RPG... que dizer, passavam, até que...

Até que numa festa, evento que os garotos não costumavam frequentar, ambos discutem e acabam se separando. No dia seguinte, Sam procura Hayden em sua casa e ao chegar ao quarto do melhor amigo, o encontra enrolado nas cobertas de Star Wars. Tenta acordá-lo e percebe que um pesadelo está preste a começar quando dá conta de que o amigo ingeriu vários comprimidos. Ele tenta ligar para a emergência, mas já era tarde demais para que os médicos fizessem algo. Ainda no quarto, Sam encontra um pen drive e um bilhete que dizia:
- Ouça, você vai entender
Uma playlist preenchia o pen drive e séria a trilha sonora dos próximos tempos para Sam, afinal ele queria muito entender os motivos de o seu melhor amigo acabar com sua vida de uma forma tão abrupta. Mas ao longo da leitura, vamos vendo que vários motivos levaram Hayden a chegar a tomar tal decisão.

Além dos dois melhores amigos, a autora nos apresentam outros personagens, como a família do Sam, ou seja, sua mãe e sua irmã, que são apresentadas com carateristas bem distintas, enquanto a primeira é mais conservadora, a filha é mais levada e alternativa, mas mesmo assim responsável. Já o pai do Sam não mora com eles, sendo uma figura mais ausente no livro. Também conhecemos uma parte pequena e vaga da família do Hayden, que ao contrário da do Sam, é mais sucedida e é do tipo que procura sempre impressionar com uma boa imagem, tanto é que eles pressionam os filhos a serem mais quadrados (digo, mais "certinhos") e Ryan, irmão mais velho do Hayden, luta a todo instante para ser o orgulho da família, tirando boas notas e participando do futebol (coisa que ele nem gosta tanto). Mas o Hayden nunca se importou em ser o que os pais queriam, mas sim o que ele gostaria de ser. Outra personagem importante e que irá ajudar ao Sam a lidar melhor com essa perda se chama Astrid, uma adolescente que carrega a suas mágoas e segredes, e que poderá também despertar uma paixão.


Essa indiferença de Hayden em relação ao que os pais queriam para ele acaba causando ciúmes em Ryan, que como primogênito, sempre foi vitima de cobranças, ao contrário do Hayden que ficava horas colado no pc ou no vídeo-game. Na escola, Hayden sempre foi vítima de bullying, e o pior é que o principal motivador da chacota era o seu próprio irmão. 

Sam se culpa muito pela suicídio, mas enquanto escuta as músicas em busca de explicações, ele vai conhecendo pessoas, que vão se abrindo e demonstrando que também são culpadas pela morte do Hayden, mas que afinal só vamos entender realmente os motivos, ou não, com a conclusão do livro.

Lançamento da Novo Conceito, o livro aborda questões como o bullying, a vingança, os padrões que os outros esperam da gente e o principal, o suicídio, mas não de uma forma muito aprofundada, o que torna a leitura mais leve, mesmo com a Michelle Falkoff trabalhando assuntos tão pesados.

Não é um livro extraordinário, a premissa de que as músicas iriam explicar os motivos do suicídio talvez seja enganosa, ou só faça sentido para o personagem (o que nem é explorado para o leitor). O final acontece de forma bem rápida, mas digamos que nem todos os assuntos são resolvidos, ainda fica no ar um certo mistério sobre o futuro de dois personagens, o que ficará ao cargo do leitor imaginar um final para ele. No entanto, o livro pode chegar a surpreender, caso você não vá com tanta sede ao pote, afinal, um pouco de entretenimento é sempre muito bom.



12

Resenha #171: A Perda (The Originals #2) - Julie Plec



Lido em: Abril de 2016
Título: A Perda
Autor: Julie Plec
Editora: Galera Record
Edição: 1
ISBN: 9788501105851
Gênero: Ficção
Ano: 2016
Páginas: 192


Avaliação:    



Resenha:

Em mais uma tirada emocionante, The Originals ganha seu segundo volume, intitulado de "A Perda", cheio de reviravoltas e adrenalina, prometendo um desfecho tão angustiante quanto os outros volumes lançados até agora. Com ritmo perfeito, a narrativa de Julie Plec nos prende da primeira página até a última, sem qualquer pausa para suspirar ou deixar o nível do romance cair.

44 anos depois do grande desastre que fez New Orleans renascer das cinzas, a cidade está agora finalmente sob o controle da família Original. Os Mikaelsons dominam todas as ruas e seu mundo finalmente parece está prosperando. Mas Klaus continua, mesmo depois de tanto tempo, tentando cumprir sua ambição e reviver sua amada. Para tal feito, ele não importa-se de colocar em risco a vida de seus irmãos, Elijah e Rebekah. Para conseguir finalizar esse desejo, ele precisará da ajuda de uma bruxa, mas os bruxos estão buscando vingança há muito tempo, e a oportunidade pode ser essa. Agora, Lily Leroux tem o plano e a isca perfeita e um novo mal recai sob a cidade, mais devastador do que nunca. E enquanto os irmãos tentam combater essa nova escuridão, duas únicas coisas ficam certas: haverá um banho de sangue e uma escolha pode finalmente fragmentar a relação familiar dos Mikaelsons que já vem sobrevivendo precariamente há tanto tempo.


Narrado em terceira pessoa, a obra vem dividida entre os pontos de vistas de Klaus, Rebekah e Elijah, seguindo o modelo do primeiro volume. Essa divisão na narrativa não só favorece ao leitor se aproximar de todos os personagens igualmente, como também amplia o campo que envolve toda a trama. Plec tem uma escrita simples, sucinta, não se atendo muito a certos detalhes, e isso pode ser considerado tanto uma ponto negativo, quanto positivo. Positivo pelo fato de não embromar demais descrevendo coisas desnecessárias; negativo por deixar alguns eventos, que poderiam ser melhor explorados, passar em branco ou muito superficial. Pessoalmente opto pelo lado positivo. Não gosto muito de longas descrições, e por ser tratar de um livro que envolve uma temática sobrenatural, The Originals, por ter essa escrita básica, não se torna cansativo e diverte o leitor a todo instante.


A construção dos personagens feito pela autora também é um aspecto a se ressaltar. Plec cuidou perfeitamente de diferenciar um irmão do outro, fazendo e ressaltando tais características de forma que o leitor consiga distinguir quem está sendo focado na narrativa. Além disso, o fato de tratar de personagens que já foram bem explorados para quem acompanha os seriados The Vampire Diaries ou The Originals, só torna a trama ainda mais convincente e diferente, trazendo um passado não citado na série. 

Neste volume o destaque de personagem vai para Rebekah que não só amadureceu muito mais, como também foi o pilar para o desenvolvimento de todos os eventos. "A Perda" trata especificamente do rompimento final na família Original, colocando em cheque toda a frustração e mágoa guardada por eles. Além disso, o volume se mostra mais adulto e violento. Se no primeiro tivemos um foco maior na trama romântica, neste volume acontece o inverso. O romance é jogado para segundo plano enquanto que a central aborda as brigas, os banhos de sangue e o lado mais misterioso da trama. O enigma no enredo guia o leitor por todas as páginas, fazendo com que os capítulos passem rapidamente e tornando a leitura tão prazerosa. 


Para uma sequência, "A Perda" foi tudo que esperei e mais um pouco. Com uma edição tão singela quanto o primeiro livro, sendo fã da série também, aguardo ansiosamente pelo seu desfecho, e já adianto que indico a leitura para os fãs do universo sobrenatural ou do mundo vampiresco. Não só um conto sobre vampiros, The Originals é uma emocionante história que aborda relação familiar, confiança e jogo de poder, tudo estritamente muito bem elaborado e explorado.

Até logo,
David Andrade.


9

Resenha #170: Arco de Virar Réu - Antonio Cestaro


Lido em: Abril de 2016
Título: Arco de Virar Réu
Autor: Antonio Cestaro
Editora: Tordesilhas
Edição: 1
ISBN: 9788584190355
Gênero: Romance brasileiro
Ano: 2016
Páginas: 152


Avaliação: 





Resenha


Em O arco de virar réu, o Antonio Cestaro nos apresenta uma família composta por cinco membro e a desconstrução da mesma decorrente da doença do filho caçula. O pai morre, e a mãe se torna ausente. Pedro, começa a apresentar um quadro estranho de comportamento, se isolando e falando coisas sem nexo, a princípio tratado como algo relacionado a transição da adolescência para a vida adulta. Seu irmão (personagem narrador), o filho mais velho é um historiador social que tem ênfase em antropologia, já que adora estudar os costumes e conflitos dos índios tupinambás.


Ao longo do romance a crise do Pedro se agrava com o diagnóstico de esquizofrenia e o irmão mais velho tenta de todas ar formas buscar algum jeito de ajudar o Pedro, assim passa a fazer anotações do seu discurso. Mas o que o mais velho não contaria que a mesma doença que assolou o irmão caçula poderia um dia chegar a fazer o mesmo com ele.

Em uma narrativa cheia de digressões, Antônio Cestaro, nos conduz em numa trama embaraçada propositalmente para reproduzir a mente de um ser prestes a ter um colapso mental, misturando relatos, sonhos, costumes indígenas e as digressões.



Os capítulos são curtos e contribuem para a rapidez de leitura e a linguagem mais trabalhada deixa o texto mais gostoso de ser lido, sendo a narrativa em primeira pessoa pelo irmão mais velho.

A todo instante o que fica no ar é a incerteza do que estamos lendo, parece uma leitura feita em meio a tensão de se perder (e isso pode acontece) com um narrador que nos deixa desconfiados, afinal, será mesmo que o que ele está nos relatando é real? A linha pode ser bem tênue no quesito mente sã, ainda mais com alguém que não nos conta tudo de forma clara.

Esse foi meu primeiro contato com o autor, gostei da experiência e me surpreendi com a qualidade literária. Por mais que o Pedro não seja o personagem central, senti uma certa identificação com seu jeito isolado de ser. Outro personagem que chama a atenção é o Juca Bala, primo do narrador, é através dele que tomamos conhecimento do tempo histórico em que se inicia a obra: a década de 70. Além disso, esse primo quer se apropriar das histórias para transformar em um filme.



A edição da editora Tordesilhas está com um trabalho gráfico impecável. A fonte com tamanho agradável e folhas amarelada, já a capa recebe detalhes em verniz e cores que representam bem a esquizofrenia, doença presente durante a narrativa.


Até logo,
Pedro Silva
9

{Divulgação} - Editora Intrínseca e o folhetim: Belgravia

Olá, pessoal. Tudo bem? 


(Fonte)
Estamos com uma novidade muito bacana, principalmente para os fãs do seriado Downton Abbey. A editora Intrínseca está com um projeto incrível de recuperar o estilo de publicação por meio de folhetins, surgido no século XIX na França junto com a imprensa. 

Para quem não conhece, o folhetim é um narrativa literária publicada de forma seriada, por partes, e com um espaço de tempo (na maioria dos casos semanalmente) entre um capitulo e outro em jornais ou revistas. Uma das principais características é que, para manter o leitor atento e segurá-lo para a próxima semana, o autor termina o capitulo sempre com um gancho, algo que será desvendado no capitulo seguinte. Grandes escritores clássicos como Machado de Assis, José de Alencar, Aluísio Azevedo, Alexandre Dumas, Victor Hugo, Charles Dickens, entre outros, escreveram obras dessa forma.  

Assim, a Editora Intrínseca recupera o Folhetim com Belgravia, uma obra ambientada na Londres de 1840 para os apaixonados por romances históricos e os fãs da aclamada série Downton Abbey. A criação é de Julian Fellowes e a publicação será por meio de e-book, dividida em 11 capítulos, sendo o primeiro, Dançando para a Batalha, gratuito.


Sinopse

Durante o baile, pouco antes de uma da manhã, os convidados da duquesa de Richmond são surpreendidos pela notícia de que Napoleão invadiu o país. O duque de Wellington precisa partir imediatamente com suas tropas. Muitos morrerão no campo de batalha ainda vestidos com os uniformes de gala.

No baile estão James e Anne Trenchard, um casal que fez fortuna com o comércio. Sua bela filha, Sophia, encanta os olhos de Edmund Bellasis, o herdeiro de uma das famílias mais proeminentes da Bretanha. Um único acontecimento nessa noite afetará drasticamente a vida de todos os envolvidos. Passados vinte e cinco anos, quando as duas famílias estão instaladas no recente bairro de Belgravia, as consequências daquele terrível episódio ainda são marcantes, e ficarão cada vez mais enredadas na intrincada teia de fofocas e intrigas que fervilham no interior das mansões da Belgrave Square.




Confira mais informações aqui:
http://www.intrinseca.com.br/belgravia/


Até logo,
Pedro Silva

5

{Sorteio}: 2 anos dos blogs Coisas da Juuh e Tudo que Motiva

Olá pessoal, tudo bem? 


Finalmente saiu o sorteio em comemoração aos 2 anos, isso mesmo 2 ANOS de Tudo que Motiva e do Blog Coisas da Juuh. E para celebrar esses 2 anos nós do De Cara Nas Letras e outros blogs nos juntamos para presentear vocês, nossos leitores lindos! ♥

9

Resenha #169: Rebelde (Reboot #2) - Amy Tintera


Lido em: Abril de 2016
Título: Rebelde
Autor: Amy Tintera
Editora: Galera Record
Edição: 1
ISBN: 9788501401106
Gênero: Distopia / Ficção
Ano: 2016
Páginas: 352


Avaliação:



Resenha:

ATENÇÃO: ESTE RESENHA PODE CONTER SPOILER

Rebelde, segundo e último volume da duologia Reboot, foi publicado recentemente no Brasil pela Galera Record. O enredo basicamente retrata uma sociedade futurista, assolada pelo vírus KDH, que faz com que alguns humanos adolescentes, após a morte, "ressuscitem" com maior grau de resistência. São pessoas mais rápidas, fortes e, acima de tudo, com poder de regeneração mais avançado. Entretanto, estes "novos humanos" são trancados em grandes centros e coordenados por humanos. Desempenham nesta nova sociedade, à grosso modo, o papel da policia. São, entretanto, escravos de um sistema, que os aprisiona e, quando não são mais úteis, os descarta.

Após libertar os Reboots da cidade de Austin das instalações da CRAH (Corporação de Repovoamento e Avanço Humano), Wren e Callum elaboram um plano para levá-los até o tão falado acampamento Rebelde, onde todos aqueles Reboots que conseguiram se livrar das garras dos humanos se refugiam, tentando levar uma vida ao menos 'normal'. Ao chegarem lá, descobrem que o acampamento é bem maior e mais avançado do que esperavam: eles possuíam armas, um bom contingente, suprimentos, estrutura. Eram, de fato, uma ameaça real ao comando humano, que insistia em escravizá-los. 

Micah é o responsável por coordenar o acampamento rebelde. Assim como Wren, ele possui um número elevado. Durante o decorrer da narrativa, entretanto, descobrimos que Micah não é tão bonzinho como aparenta ser: trata-se de uma espécie de "pequeno Hitler", que possui em mente exterminar toda a raça humana, fazendo a raça Reboot (que, segundo ele, era fruto da evolução, ascender. Diante deste cenário, Wren e Callum terão que escolher entre aliarem-se a Micah e transformar seu plano cruel em realidade ou então proteger os humanos, libertar os demais Reboots aprisionados e derrubar o 'reinado' da CRAH.

Não queria ser uma escrava sem consciência, uma pessoa disposta a fazer tudo o que eles ordenassem. Uma pessoa que acabou fugindo na primeira oportunidade e que não estava disposta a ajudar outras pessoas na mesma situação. Eu não queria fazer essa escolha. Não mergulharia de ser uma pessoa assim. (Página 251)


Diferentemente do primeiro volume, conhecemos agora uma protagonista muito mais 'humana'. Wren, que em Reboot se demonstrava uma pessoal sem sentimentos, agora está cada vez mais apegada a Callum. Entretanto, suas emoções não se restringem apenas a ele. Wren consegue, em vários momentos, deixar fluir aquilo que sente, contrariando o pensamento de que, quanto mais alto seu número (ou seja, quanto mais tempo você demorou para "ressuscitar"), menos "humano" você é. Achei tal prerrogativa interessante, pois a autora consegue destacar um questionamento crucial, que nos faz pensar sobre nossas vidas: nem tudo aquilo que ouvimos condiz com a realidade. Em vários momentos de nossa vida, ouviremos pessoas dizerem coisas, em geral sobre nós, que podem ser inteiramente inverídicas e que, se não tomarmos cuidado, seremos tão vítima quanto Wren estava sendo, ao ter que delimitar suas emoções para "caber em um molde". 

Já Callum, que era considerado inferior por ter um número baixo (22, para ser mais exato), torna-se um homem independente, capaz de liderar centenas de rebeldes. A quebra de padrão apresentada pela Amy Tintera, de fato, me impressionou: a evolução de ambos os personagens era algo que eu não esperava. Foi interessante acompanhar o crescimento de ambos no decorrer da narrativa.

Todos me conhecem pelo número de minutos em que estive morta. Eles pesam que isso define quem sou. Pensam que podem me controlar. Eles estão muito engados.

Ressalto também que em Rebelde observamos um número bem mais elevado de cenas de ação, que faz com que as páginas fluam de forma tão rápida que nem percebamos. Eu, particularmente, finalizei a leitura mais rápido do que esperava. A autora nos mostra, em capítulos alternados (perspectiva de Callum, perspectiva de Wren), a ponto de vista e pensamentos íntimos de nossos protagonistas. Seus medos, planos e sentimentos nos são mostrados de forma clara. É impossível não se apegar a ambos.


No mais, considero a duologia Reboot como sendo a melhor aposta distópica para 2016. De forma inovadora e sublime, Amy Tintera aborda a questão de distinção de raças, governos opressores, amizades e inimizades, sexo e milhares de outros temas. A obra consegue ser estimulante e ao mesmo tempo completa, sem deixar pontas soltas. Finalizo a resenha, então, com uma frase que ficou em minha mente ao completar a leitura: "preciso de mais".

Até logo,
Sérgio H.

10

Resenha #168: Um Passado Sombrio - Peter Straub



Lido em: Maio de 2016
Título: Um passado sombrio
Autor: Peter Straub
Editora: Bertrand Brasil
Edição: 1º
ISBN: 9788528620481
Gênero: Ficção Americana/Suspense
Ano: 2016
Páginas: 392
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Resenha


No mais novo livro de Peter Straub, (muito conhecido por suas parcerias com Stephen King) Lee Harwell é um escritor já conhecido, e esta tentando escrever um novo romance. Até que sua memória volta há 40 anos, quando seus melhores amigos e sua namorada e atual esposa se envolveram com eventos misteriosos. 


Em 1966 Spencer Mallon surge de passagem por um campus universitário, prometendo experiências sobrenaturais, e boas histórias. Alguns estudantes universitários e estudantes do colegial se encantam pelo guru, e se tornam seus discípulos, tendo como ponto alto de suas experiências um ritual secreto. Que acaba resultando em um corpo horrivelmente dilacerado, um garoto desaparecido, e todos os envolvidos marcados profundamente. 

Dessa forma, Lee tenta voltar ao passado através das memórias de seus amigos e esposa – amigos que não vê há décadas, e a esposa se recusa a falar no assunto - para entender o que aconteceu de fato no campo de agronomia, onde o ritual foi realizado.


A historia demora um pouco a tomar forma, tendo muitos pensamentos e devaneios de Lee, que tenta relacionar o ocorrido com um assassino de mulheres que existia na época, e mais na frente entendemos a relação entre os casos. A narrativa trás os pontos de vista de todos os envolvidos no episodio, o que poderia trazer uma leitura mais dinâmica, fato que não ocorre, já que também é narrado por Lee Harwell. 

Um ponto positivo em relação a esse livro é a construção dos personagens, que é muito bem feita, são personagens bem reais e interessantes, tornando a leitura mais agradável. Como Hootie, que depois do ritual, passa boa parte de sua vida em uma clinica psiquiátrico, comunicando-se apenas por citações de livros.

“As palavras criam liberdade, também, e eu acho que as palavras” Pag: 31
 O livro não me agradou muito, em minha opinião, ele não cumpriu o terror e suspense que prometia. Os fatos ocorridos, apesar de sombrios, não me causaram efeito algum. Talvez por terem criaturas, “demônios” demais, algo que como não consigo relacionar como “real”, não me causam medo algum. Por outro lado o fato de ter um assassino de mulheres poderia ter sido mais explorado, e dado o suspense necessário. 

Até logo!



8

Resenha #167: 62 Modelo Para Armar - Julio Cortázar

Título: 62 Modelo para armar
Autor: Julio Cortázar
Editora: Civilização Brasileira
Edição: 4°
ISBN: 8520005551
Gênero: Romance estrangeiro
Ano: 2016
Páginas: 256
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Resenha


Julio Florencio Cortázar foi um autor argentino que viveu 69 anos e é considerado um dos autores mais inovadores e originais de seu tempo. Mestre do conto, do conto curto e da prosa poética que ganha destaque ao lado de Jorge Luis Borges e Edgar Allan Poe.

62 Modelo Para Armar é um livro que surgiu a partir do capitulo de número 62 do mais celebre livro do Julio Cortázar, O Jogo da Amarelinha, sendo esse ultimo recebido pela grande crítica da época de lançamento como um romance inovador por sua forma estrutural, "um labirinto literário no qual Cortázar discute os questionamentos do homem diante de seu destino, conflitos, dúvidas e paixões. Dividido em três partes, pode ser lido de diversas formas. Cada leitor cria o seu próprio livro e ritmo."



O autor não constrói uma narrativa linear, muito menos usa apenas de uma voz para escrever , o que torna plausível, e ele nos mostra dessa forma que nossa realidade não é tão simétrica como nos romances clássicos escritos de forma a ter inicio, meio e fim, tanto é que ao começar 62 (apesar de ser o começo), não temos uma contextualização de tudo, na verdade só do ambiente e dos personagens que estão ali, sem descrever quem são e suas origens.



Um dos grandes pontos dessa obra são as relações que os personagens tem entre si, relações pessoais de afeto, ou algo do tipo e os diálogos são muito humanos. Apesar de todo o "caos", conseguimos nos identificar nesses momentos e encontramos diálogos escritos de uma complexidade, mas que poderiam ter sido ditas por nós em linhas mais simples.

É um livro que tira o leitor de sua zona de conforto. Séria muita pretensão falar que compreendi tudo o que o autor quis dizer com Modelo Para Armar, mas sei que irei relê-lo e ainda embarcar no universo amplo do autor, ou seja, mais coisas dele serão lidas por mim. Digo sua escrita me fascinou de uma forma intrigante com seu estilo não certo de dizer as coisas desse nosso mundo tão surreal.



Para leitores que querem navegar pelas obras do autor, recomendo que comece pelos contos, não por 62 Modelo Para Armar porque creio que a experiencia poderá ser um tanto frustante, mas se você é corajoso, quer se arriscar e a única opção é essa, por que não, assim como eu, tentar?


Att.
Pedro Silva

8

Resenha #166: Toda Poesia de Augusto dos Anjos - Augusto dos Anjos



Lido em: Abril de 2016
Título: Toda Poesia de Augusto dos Anjos
Autor: Augusto dos Anjos
Editora: José Olympio
Edição:
ISBN: 9788503010948
Gênero: Poesia brasileira
Ano: 2016
Páginas: 320


Avaliação: 



Resenha:

Certamente você já ouviu falar em Augusto dos Anjos nas aulas de literatura, em alguma prova do vestibular, ou até mesmo viu algum de seus versos mais famosos na internet como:

“Eu, filho do carbono e do amoníaco,/ Monstro de escuridão e rutilância.” ou“O beijo, amigo, é a véspera do escarro,/ A mão que afaga é a mesma que apedreja.”.

Porém, o que mais sabemos, sobre esse poeta brasileiro? Confesso que nunca tinha me aprofundado de fato da vida e obra do conterrâneo Augusto dos Anjos, e esse relançamento da José Olympio veio em boa hora.


Nesse livro temos o único livro publicado do autor “Eu”, e outros poemas nunca reunidos em livro, além de contar com um estudo crítico de Ferreira Gullar. Esse estudo é de extrema importância para conhecermos melhor a pessoa que foi Augusto dos Anjos, e consequentemente sua poesia, as escolas literárias que se influenciou, mas sem filiar-se a uma específica, e até temos um contexto histórico e social do início do século XX.


“Para tentar decifrar o enigma do mundo, o poeta desce ao inferno dos leprosários, se confunde com os tuberculosos, come pratos de vermes, devora olhos humanos e sobe às alturas celestiais.” Pag 18 (Trecho do estudo de Ferreira Gullar)


As poesias de Augusto dos Anjos sãos conhecidas pelo seu pessimismo e desânimo, assim como uma inclinação para a morte. Em seus poemas é comum encontrar reflexões sobre a vida, e a miséria do ser humano. Quanto à estrutura, suas poesias apresentam rigor na forma e rico conteúdo metafórico.

Autores como Charles Baudelaire, Edgar Allan Poe, Schopenhauer, Spencer e Darwin, influenciaram sua visão de mundo, assim como sua poesia. Que trás elementos científicos, termos filosóficos e culturais, que a primeiro momento oferecem dificuldade, mas mostra o que Augusto dos Anjos trazia de novo para a literatura brasileira.

Autor talentoso que demorou a ser reconhecido pela crítica. Merece ser lido e conhecido por todos. Poesia paraibana da melhor qualidade, e que merece um pouco mais da nossa atenção.


Essa nova edição da José Olympio esta incrível, o projeto gráfico da capa é simples, e o mais bonito de todas as edições ate agora. As folhas são amareladas, com fonte e espaçamento ideais. Além de não ter nenhum erro de revisão.

Augusto dos Anjos (1884-1914): nasceu no Engenho do Pau D’Arco na Paraíba. Filho de uma aristocracia falida, sua infância foi marcada por perdas e privações. Aos 17 anos publica no jornal O Commercio suas primeiras poesias. Em 1912, lança, em edição particular, Eu, seu único livro publicado em vida. Morreu ainda jovem (em 1914) devido a uma enfermidade pulmonar.

Até mais,
Elidiane Galdino

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Resenha #165: Impasses da Democracia no Brasil - Leonardo Avritzer


Lido em: Abril de 2016
Título: Impasses da Democracia no Brasil
Autor: Leonardo Avritzer
Editora: Civilização Brasileira
Edição: 1
ISBN: 978-85-200-1272-7
Gênero: Não-Ficcional
Ano: 2016
Páginas: 200


Avaliação:    




Resenha:

Imagino que alguns de vocês saibam que curso Relações Internacionais na Universidade Federal da Paraíba. Logo, considero que não seja estranho observar a presença desta obra por aqui. Logo que vi que o Grupo Editorial Record lançaria ‘Impasses’, fiquei bastante curioso acerca do que nos seria retratado – a premissa apresentada pelo autor encantou-me. Decidi, mesmo com um milhão de coisas acontecendo em minha vida, solicitar tal livro para agregar conhecimentos à minha pessoa, conhecimentos estes que me auxiliariam (e auxiliaram), em especial, no desenvolvimento crítico sobre política que meu curso requer. Creio que esta tenha sido a decisão mais sensata que fiz este ano.

Impasses da Democracia no Brasil poderia ser mais um livro que defende um dos lados da política brasileira. Mas, felizmente, não o é. Leonardo Avritzer nos apresenta uma análise aprofundada e de fácil compreensão acerca dos problemas sociais, políticos e econômicos que estão em processo no Brasil.


Logo no início da obra, o autor aborda termos técnicos (como poliarquia, por exemplo), para definir a democracia brasileira. Pausa para explicar o que é poliarquia: existem diversas teorias que medem o grau democrático de um Estado, usando diversos meios para tal (meios estes que não são importantes para esta resenha). A mais aceita, porém, é do autor Robert A. Dahl. Logo, o termo ‘poliarquia’ teria como objetivo designar de forma mais objetiva o estágio mais avançado da expressão democrática dentro do Estado.

Além disso, outros temas importantes são abordados. Um dos primeiros é sobre os problemas sociais no Brasil. O autor fala, em vários momentos, acerca do avanço dos movimentos sociais brasileiros e sua importância no cenário democrático nacional, em especial no que diz respeito à formação de políticas públicas. Além disso, criticas de cunho político são feitas, ressaltando os pontos positivos de cada governo, bem como seus erros. Obviamente, é evidente que podemos perceber certa afeição do autor por um dos lados (entendam lados como “esquerda” e “direita”), mas em momento algum o mesmo coloca em um pedestal aquele pensamento que acredita. É interessante perceber o grau de lucidez da obra, que retrata os fatos de fato como são, sem dois pesos ou duas medidas.


Além disso, Impasses da Democracia no Brasil nos apresenta também uma síntese das manifestações de 2013, com infográficos demonstrando as maiores reclamações da população insatisfeita, que foi às ruas neste período. Presidencialismo de coalizão, cultura e corrupção nas instituições públicas são alguns dos outros temas abordados em grande escala no decorrer da dissertação. No mais, a obra apresenta-se como sendo uma tentativa de elencar as falhas no processo de gestão pública no âmbito nacional, mas com um caráter diferenciado de outras teses e artigos que circulam pelo meio acadêmico, tendo em vista que possui sugestões de resolução que podemos considerar como sendo, de fato, palpáveis em curto prazo; que podemos considerar, até, como efetivas.

‘Impasses’ é um livro enxuto, mas ao mesmo tempo recheado de informações importantes. Básico, mas ao mesmo tempo robusto. Em tese, polêmico e assustadoramente atual. Politize-se!


Até logo,
Sérgio H.