O Maravilhoso Bistrô Francês, de Nina George

Com personagens que nos mostram que nunca é tarde demais para nos reconectarmos com nós mesmos e sermos felizes, "O Maravilhoso Bistrô Francês" é uma leitura com reflexões sobre a vida, amizade, si mesmo e o amor. 

Uma vida sem escolhas, sem opções e sem amor. Era assim que Marianne vivia, bom o termo correto seria existia. Cansada disso tudo e sem saber com sair de um casamento horrível, ela decide se jogar no rio Sena e por um fim de uma vez por todas em sua história, mas o destino parece guardar grandes surpresas para ela, pois um cidadão parisiense a salva do afogamento.


No hospital para o qual ela é levada existe a pintura de uma paisagem que deixa Marianne encantada, e logo ela descobre que se trata de uma rústica comunidade da Bretanha (interior de Paris) e isso desperta a curiosidade dela em relação aquele lugar.
De repente ela decide se aventurar e ir até aquele vilarejo, e sai sem seu marido sequer desconfiar.
"Felicidade é quando amamos o que precisamos e quando precisamos do que amamos. E conseguimos [...]."
Ao chegar em Kenbruk se depara com o restaurante Ar Mor e sua geniosa dona Genevieve, que logo se torna amiga de Marianne. Nesse lugar familiar e aconchegante, ela conhece o estonteante pintor Yann que faz o seu coração acelerar de uma forma que jamais havia acontecido.

Finalmente se sentindo parte de algo, ela descobre um lado alegre, engraçado, musical que ela nunca soubera que existia em si. Em meio a conversas descontraídas e deliciosas comidas, Marianne conhece o amor e percebe que seu maior, e inesperado, desejo é continuar viva.

Tudo parece acontecer da melhor forma que poderia, até que o seu passado surge para aterroriza-la e confundi-la. Assim, ela terá que fazer uma escolha: voltar para sua antiga e monótona vida, mas que ela conhece bem; ou continuar naquele lugar no qual tem se encontrado e sido feliz.

Em toda a sua vida Marianne deixou que os outros decidirem por ela, mas a chave para seu destino e sua felicidade agora está em suas mãos, e somente ela poderá escolher qual caminho seguir.

Um livro que me surpreendeu.

Até determinada altura da leitura pensei que a protagonista permaneceria igual do início ao fim, até que ele se reinventa e ganha minha admiração.

Marianne é uma personagem cuja história de vida representa milhares de pessoas: um casamento com o qual ela está infeliz há muito tempo e não faz nada para mudar ou sair dessa situação por simples conveniência. Mas quando chega ao ápice do desespero, sufocada por aquela relação ela decide, a primeira decisão que ela toma na vida, por um fim na sua existência  e tudo começa a mudar.
"Sim, o que eu queria?
Eu só quero viver. Só viver, sem medo. Sem pesar. Quero amigos. Quero amor, quero fazer alguma coisa, quero trabalhar, quero rir, quero cantar, quero..."
Ela não vivia, apenas existia. E isso não é vida pra ninguém.

No fundo a vida é tão breve e rara para dedicarmos anos dela em coisas que não valem a pena e que nos fazem mal e somente arrancam nossa identidade. A conveniência ao se conformar com determinadas situações só nos privam de vivenciar momentos de prazer, de viver e experimentar o máximo que a vida conseguir nos proporcionar. Foi uma alegria ver que Marianne percebeu que não era tarde para recomeçar, passando a mensagem de que sempre existe tempo para recomeços.

Lothar, marido de Marianne, é um personagem odioso e entrou para o meu pote do ranço com toda a certeza. Ele é machista, prepotente, hipócrita, um ser humano desprezível que trata a esposa feito uma escrava. O pior foi pensar que homens como ele ainda existem e várias mulheres estão "presas" a esses crápulas. É triste imaginar situações nas quais mulheres são tão destratadas por aqueles que deveriam amá-las, dos quais elas só esperam um pouco de cuidado.

A reflexão que o livro carrega é clara e direta: recomece, não importa quantas vezes forem necessárias. Não importa se você é jovem ou idoso, para se encontrar e se compreender não tem idade definida, todos nós vivemos em constante aprendizado sobre quem somos e em quem podemos nos tornar. Por isso é preciso nos conhecermos mais e melhor, pois somos as únicas pessoas que permanecermos com nós mesmos até o fim.
"— As pessoas não mudam nunca! [...] — Nós nos esquecemos de nós mesmas. E, quando nos redescobrimos, pensamos que mudamos. Mas isso não é verdade. Não se podem mudar os sonhos, apenas matá-los. E alguns de nós somos assassinos bem sucedidos."
Com personagens cativantes e que fazem a história ter vários núcleos se desenvolvendo ao mesmo tempo, sem que ofusquem ou se confundam com a da protagonista, dá mais força e forma ao enredo dessa obra. Cada personagem que surge deixa sua marca na narrativa, e isso me agradou bastante.


A capa segue o padrão do primeiro livro da autora lançado aqui no Brasil, e está um amor de tão fofa. Na diagramação não temos nenhuma novidade, o que foi uma pena. A letra está em tamanho bastante confortável o que deixa a leitura muito mais fácil, eu amei.

Dando visibilidade a terceira idade e com um enredo que nos permite uma reflexão profunda sobre a vida, "O Maravilhoso Bistrô Francês" é um livro muito bem escrito e que atinge nosso íntimo. Aquele livro para ser lido num fim de tarde com uma bela xícara de chá.

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Ficha técnica 


  Título: O Maravilhoso Bistrô Francês
  Autora: Nina George
  Editora: Record
  ISBN: 9788501111135
  Ano: 2018
  Edição: 1
  Páginas: 280
  Resenha de número: 415
  Livro cedido pela editora.








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