Escrevendo Histórias: Ester Barroso, mulher e poesia



Campinense, apaixonada por poesia, escritora e dona da página Moça, você é mais poesia que mulher, Ester Barroso, 23 anos, publicou a antologia Nascente pela editora Penalux em parceria com seu amigo Douglas Jefferson, de Taubaté - SP. Seu primeiro livro é um compilado daquilo que ela mais gosta de escrever: poesias. A mãe foi a grande responsável por apresentar a leitura, o incentivo continuou através do professor de português do ensino fundamental, mas foi após uma paixão que os versos surgiram na vida de Ester, e de forma reflexiva, abriu brechas para enxergar o mundo de outras formas, com outros olhares. 

A pessoa que quer abraçar o mundo com as pernas cursa letras - português e apesar de ter medo de licenciatura está enfrentando bem, visto que “é uma oportunidade imensa, inclusive para aperfeiçoar a escrita e continuar escrevendo, porque eu gosto muito de literatura”. 

Conciliando a escrita, a universidade e a página no facebook, Ester já pensa nas próximas publicações. Tem em mente usar a história da mãe para fazer prosas e originar, assim, seu próximo livro. 

Entrevista 


➡ Ester, fala um pouquinho sobre sua antologia publicada ano passado. 

Ester Barroso: Eu tenho um amigo de Taubaté - SP, que ele tá terminando o curso de filosofia dele. A gente se descobriu como duas pessoas que se identificavam muito com certas coisas, certos assuntos e a gente compartilhava coisas que a gente escrevia - que ele também escreve… Então certo dia a gente resolveu escrever a antologia, juntar parte dos nossos poemas e lançar. [...] Ele escreve mais com uma pegada filosófica, reflexiva.. Eu peguei mais a parte do sentimentalismo, essas coisas assim. E foi bem legal! Até hoje tá rendendo. Tem pessoas que publicam nossos poemas ou ainda estão comprando e é bem massa a experiência. Enviamos e-mail para mais de cem editoras, a maioria respondeu ou recusando ou dizendo que não trabalha com a temática de poesia, e por indicação de outros colegas nas redes sociais - que também escrevem - indicaram a Penalux, que eles se empenham em lançar novos escritores. Foi sem custo, o que foi ótimo pra gente. A maioria das editoras que aceitaram nossa publicação, elas cobraram um valor imenso que a gente não tinha condição de pagar. Levamos alguns meses reunindo, editando e eles respondendo pra gente o que deveria mudar. Ainda passamos um tempo maior fazendo a capa, que o amigo de Douglas é pintor, ele desenha.. Ele que elaborou a capa pra gente. Esse processo durou cerca de seis meses, por aí. 


➡ Desde quando você escreve e como foi pegar seu livro nas mãos? 

E. B.: Eu comecei faz uns 4 anos a escrever, foi quando parei e consegui. Eu gostava de uma pessoa, ai fui inventar de escrever uns versinhos pra ela, ai ela disse que gostou muito e eu poderia começar a desenvolver, aí eu tomei a ideia, deu certo. Pegar meu livro na mão foi inspirador, eu não imaginava que eu ia conseguir escrever pra lançar um livro, então foi interessante demais e emocionante, coisas que a gente não planeja e acontece assim. 

➡ Em que você se inspira para escrever suas poesias? 

E. B.: Eu faço analogia com várias coisas que fazem refletir e aí uma mínima coisa até uma formiga andando numa mesa você começa a refletir o que ela tá fazendo ali e como você pode comprar ela com pessoas e outras coisas da vida, aí você acaba fazendo uma bola de neve e precisa soltar e que isso me deu ideia pra escrever sobre, é isso, acaba virando uma bola de neve, só precisa escrever, é muito bom… e agonizante também porque às vezes você não consegue externalizar aquilo que você quer falar. 

➡ E o nome do livro? De onde veio Nascente? 

E. B.: Foi bastante baseado em um poema de Drummond onde fala que uma flor nasceu no asfalto e a gente tentou refletir isso no nascente quando a gente fala nascente, vem na mente a nascente de um rio ou alguma coisa assim, só que a gente colocou como sendo a flor que nasce do asfalto, como fazendo analogia a alguém que suporte os baques da vida ou a poesia surgindo concreto mesmo é algo que resiste a dureza da sociedade e que a gente tá vivendo hoje em dia. O amarelo da flor é porque a gente gosta de amarelo, então teve que ser amarelinho, um narciso. 

➡ Você escreve apenas poesia? 

E. B.: Eu comecei a desenvolver um livro em prosas, com enredo baseado na história da minha mãe, de coisas que ela viveu, sem identificar, claro, só que vai demorar um pouco porque eu não tenho costume de escrever prosas, eu escrevo poesia, então pra mim vai ser um pouco mais difícil. 

➡ Conta um pouco sobre as suas influências e o que você costuma ler? 

E. B.: A gente tá vendo muito isso no curso da gente, até debatemos essa semana que é um estigma que a gente tem com a leitura, que tem esses livros novos que estão surgindo, que acaba virando febre entre o pessoal e a gente acaba levando como modinha e acaba não lendo, ai eu queria investir mais nesse lado que tá surgindo, só que às vezes ainda tem aquele estigma na sua cabeça de que não é bom, todo mundo está lendo, é modinha, mas eu gosto de ler literatura nacional, minha preferência assim e literatura policial, tipo Agatha Christie, eu comprei uma coleção dela, ainda tô pra terminar, mas não tenho tempo e literatura nacional tipo Jorge Amado. Eu queria muito ler Grandes Sertão: Veredas, só que é uma dificuldade imensa para ler aquele livro. Está surgindo muitos escritores, digamos assim, de “literatura feminista” e internacionais, tipo Rupi Kaur e até tem muitas discussões sobre esse tipo de poesia, eu já li poesias dela que é só uma linha assim em uma folha e tá sendo muito criticado se é poesia ou não. Tem uma escritora também, a Ryane Leão, ela lançou o Tudo nela brilha e queima, a gente divulgou bastante, ela me mandou um livro dela em agradecimento, tá sendo bem criticada também sobre isso, porque ela começa meio que só conversando com você não tem rima, acaba sendo trechos bem pequenos, alguns criticam, outros amam porque isso é uma inovação. É isso, eu gosto mais de literatura nacional, tenho tentado valorizar mais a escrita nacional do que a gente ficar sempre na internacional e ficar comparando que a de lá é melhor do que a daqui. 

➡ A página “moça você é mais poesia que mulher" tem mais de 2 milhões de curtidas, de onde veio a ideia de criar a página e como foi lidar com o crescimento tão grande? 

E. B.: Eu administrava uma página com minha prima, ela queria criar alguma coisa assim pra ficar se entretendo no facebook, mas ela não sabia muito mexer pra fazer as publicações… Aí depois eu resolvi criar ela pra mim, com uma temática mais de literatura, que eu tava gostando mais.. Foi há 4 anos, e eu fui pedindo a ajuda em outras páginas para divulgar, umas aceitavam e outras recusaram, e depois ela foi se expandindo sozinha. O pessoal pergunta se eu paguei o facebook, mas ela foi crescendo sozinha. A gente divulga bastante escritores novos, também. Tem parcerias com algumas editoras… Eu não tinha noção da proporção dela, teve gente da UEPB que descobriu que eu administrava e veio falar que era massa e etc. Eu criei pra ser um passatempo e ela foi crescendo e eu fui criando responsabilidade. Os escritores mais novos pedem para divulgar e ficam compartilhando, fazendo campanha.. 

➡ Como tua família te acolheu, teve o apoio para sua publicação? 


E. B.: Minha mãe foi e meu irmão me deram muito apoio, desde o início e pra ela foi assim emocionante porque tem a dedicatória pra ela, pra o meu professor também e quando ela leu a dedicatória, ela chorou com o livro na mão. E também dei o livro para o meu professor, ele ficou bem orgulhoso e emocionado, porque eu achei que ele tinha marcação comigo na sala desde sempre, mas depois eu descobri que era porque ele gostava quando eu participava, ele via que eu era mais interessada no assunto do que os diversos alunos, aí acabou sendo um orgulho para ele. 

➡ Como você descreve Ester Barroso? 

E. B.: E como a poesia te constrói? Uma pessoa que quer abraçar o mundo com as pernas e não pode. Queria ajudar e fazer um monte de coisa, envolver em projetos sociais, compreensão mil, paciência um pouco zero, difícil de lidar às vezes, bem quieta, sentimental e imaginativa, muito imaginativa. A poesia aparece na minha vida como uma forma mais reflexiva, de modo a abrir brechas pra ver outras formas de mundo, outras formas de enxergar aquilo que não está visível a olho nu, o olho nu da maioria das pessoas. De uma forma reflexiva mesmo. 

➡ Você tem algum sonho? 

E. B.: Morar na praia. Meio clichê, mas é morar na praia. E levantar da cama e poder dizer assim “sou independente, eu posso fazer isso, posso fazer aquilo”. Eu tenho como sabe. 

➡ E um medo? 

E. B.: Não viver coisas que eu sonho, pretendo e planejo. Que não são muitas assim, mas que eu acho que seria bem frustrante 

➡ Pretende ou tem projetos de futuras publicações? 

E. B.: Sim! Eu tô doida que chegue o final do ano, as férias pra começar a escrever de novo, porque quero terminar o que tô escrevendo pra minha mãe e lançar outro com poesia de temática mais social, mais feminista e parece que dezembro não chega nunca, mas eu quero lançar pelo menos um ano que vem. 


➡Para quem quiser adquirir o seu livro, onde encontrá-lo? 

E. B.: Infelizmente a gente não tem mais exemplares dele pessoalmente, temos que pedir nova remessa, mas tem como comprar ele no site da editora penalux. Tem ela no facebook, instagram e no site mesmo deles. 

Produção: 
Andreza Valdevino 
José Pedro da Silva Júnior 
Kermelly Kelly 
Luana Alberia
Rillary Martins

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