'A Hora do Lobisomem', de Stephen King

    Stephen King tem uma quantidade considerável de romances. Em seu livro Sobre a Escrita, ele relata o seu compromisso com a arte de escrever e a rotina que o faz produzir 10 páginas diárias de um livro, tendo em um mês um romance de 300 páginas. Ao contrário dos romances longos do autor, A Hora do Lobisomem possui apenas uma centena de páginas, e traz uma história sobre a figura do homem que se transforma em lobo.

     A Hora do Lobisomem se passa na cidade de Tarker's Mill, no Maine (outras histórias do autor são também ambientadas no mesmo estado), um ambiente pacato, do tipo em que as pessoas se conhecem e vivem em harmonia aceitável. Até que o primeiro assassinato violento, de uma série, dá inicio ao sentimento de insegurança e medo aos cidadão da região. Os crimes vêm sendo cometidos em noites de lua cheia, e com o ruir de uivos pela floresta. Para os moradores, a única explicação possível é a da presença de um serial-killer, responsável pelas tragédias.
     Mas Marty Coslaw, um menino paralitico de 11 anos, numa noite de lua cheia, enquanto brinca com fogos de artificio no quintal de casa, tem um encontro com a criatura que está causando a desordem na cidade. Uma criatura peluda, de tamanho descomunal, dentes sedentos e um ar de feroz, indicando que se trata de um lobisomem sedento. No entanto, para a sua sorte, o menino consegue escapar das garras do monstro, e assim começa uma busca para saber quem será o homem que se transforma em lobo nas noites de lua cheia.
    A obra de Stephen King é classificada, como já dita, é curta, e de leitura muito rápida. As ilustrações também ajudam no ritmo acelerado com que devoramos o livro. Em sua ficha catalográfica, tem sido classificado de como sendo de contos, isso porque cada capitulo traz de um mês do ano (janeiro a dezembro), ou seja, doze capítulos que marcam o aparecimento do bicho na pequena cidade. São curtos os capítulos e  por isso acabam tornando a leitura muito fluida. Somos apresentados a um clima de tensão, de frio advindo de"uma nevasca de inverno [que] sufocou o céu com neve" e cobre a cidade que vai delimitar os primeiros capítulos. No entanto, a unicidade desses "contos" vão dá uma estrutura maior a obra, culminando assim em um romance pequeno, de acontecimentos rápidos mas com um fio condutor inerente.  
    A história tem momentos de oscilação, entre capítulos instigantes e intrigantes, e outros mais monótonos. As cenas de terror são muito rápidas, e quando se vê já acabaram, sendo em certos momentos frustantes, dando a impressão de que se o autor tivesse escolhido desenvolver melhor essa obra, o nível de envolvimento e cativação do leitor seria bem maior e o seu desenrolar não seria tão previsível. 
     Em suma, é um bom livro. Os amantes da obra do King vão adorar este livro. Alguns aspectos dela são bem aconchegantes, como a cidade pequena, o relacionamento bem desenvolvido de seus morados, uma época sem grandes tecnologias de hoje e uma lenda que se tornou real nesse universo coerente com a mitologia clássica dos Lobisomens. Por outro lado, quem for com muita cede ao pote pode se decepcionar com uma história sem grandes elementos surpresa, e um final previsível.

     A edição da Editora Suma faz parte da coleção Biblioteca Stephen King em capa dura e conta com as clássicas ilustrações originais de Bernie Wrightson, além de algumas quatro edições especiais e exclusivas feitas por artistas nacionais: Giovanna Cianelli, Rafael Albuquerque, Rebeca Prado e Lucas Pelegrineti, que vale muito conferir de perto.

    Para quem gosta de conferir adaptações literárias, existe um filme de 1985 dirigido por Daniel Attias, podendo ser encontrado como A Hora do Lobisomem, Silver Bulle ou Bala de Prata.


Ficha técnica

 Título: A Hora do Lobisome
 Título original: Cycle of the Werewolf (1985)
 Autor: Stephen King
 Tradução: Regiane Winarski
 Editora: Suma de Letras
 Edição: 1
 Ano: 2017
 ISBN: 9788589020183
 Gênero: Literatura norte-americana
 Páginas: 152

Avaliação: 

Resenha de número #391

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