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Resenha #390: Nem Vem - Lydia Davis

Título: Nem Vem
Título original: Can't and Won't (2014)
Autora: Lydia Davis
Tradução: Branca Vianna
Editora: Companhia das Letras
Edição: 1
Ano: 2017
ISBN: 9788535929621
Gênero: Contos / Ficção
Páginas: 270

Avaliação: 



Resenha



Lydia Davis é uma das autoras mais inventivas que já li nos últimos tempos. Seu romance História do Fim se desdobra sobre um relacionamento que terminou, e assim como Tipos de PerturbaçõesNem Vem, sua nova coletânea de contos pela Companhia das Letras reúne mais 122 de suas narrativas curtas ─ gênero, que pelo visto, se sente mais confortável ─, em histórias que variam de poucas linhas à uma duzia de páginas.

São histórias do cotidiano que com o olhar atento da autora se tornam narrativas peculiares e de divertido entendimento, como é o caso de uma família que perdeu seu cachorro e tenta, pelo a pelo, reconstruir o animal; uma mulher observando outra preencher palavras cruzadas, ou as diversas cartas que algumas pessoas escrevem endereçadas às instituições com a finalidade de reivindicar algo inusitado. Muito dos textos são advindo também de sonhos, seus ou de outras pessoas, que são agrupados nessa categoria.

Infelizmente nem todas as narrativas funcionam bem, fica a impressão de que não entendemos o texto, ou de que o conteúdo desses seja desinteressante, embora criativos, a exemplo das narrativas construídas a partir de fragmentos das correspondências do escritor francês Gustave Flaubert e as narrativas que são decorrentes de sonhos que ela ou amigos próximos tiveram. Por outro lado, isso pode ser visto como um bom ponto da autora, uma vez que trabalha com um pequeno pensamento e na mente do leitor fica o trabalho de desenvolver sua imaginação em torno do contexto descrito. Como a história a seguir, onde ficamos nos questionando quem séria essa pessoa, por qual motivo não teve o título e o que faz da vida.
"Estes anos todos pensei em ter um Ph.d.
Mas eu não tenho um P.h.d" ─ p.298
De Tipos de Pertubações para Nem Vem, a autora conseguiu equiparar a coerência de suas obras, mostrando que ambos os livros foram escritos por ela, ou que um é extensão do outro. Seu tom continua sendo de seriedade e um certo charme, mostrando em suas histórias o poder que a brevidade possui.


Apesar das histórias serem curtas, Nem Vem é um livro para ser devorado aos poucos, aproveitando o que de mais criativo a autora oferece. E essa relatividade em suas histórias fazem com que ela, talvez, não seja do agrado de todos, mas com o esforço necessário o leitor poderá se encontrar rindo, se comovendo com algum conto e, principalmente, com o pensamento voando ao longe.

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