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Resenha #387: A Morte de Ivan Ilitch e outras histórias - Leon Tolstói

Título: A Morte de Ivan Ilitch e outras histórias
Autor:  Leon Tolstói
Tradução: Oleg Almeida
Editora: Martin Claret
Edição: 1
Ano: 2018
ISBN:9788544001776
Gênero: Novelas russas
Páginas: 288

Avaliação: 


Resenha



A editora Martin Claret, que vem apostando em novos visuais para a suas obras (e com sucesso), traz três novelas de Leon Tolstói, reunidas num volume com tradução e introdução pelo respeitado tradutor Oleg Almeida, além de inúmeras notas de rodapé com informações contextualizantes para o leitor.
A primeira das novelas é A Morte de Ivan Ilitch (1886). Aqui nos deparamos com um juiz de 45 anos de idade, casado e com um casal de filhos. Sempre dedicado ao trabalho, ele possui uma vida respeitável, uma boa família e posição social bem sucedida, e acha ser feliz da maneira que vive. 

No entanto, uma doença indefinível pelos médicos o atinge na região entre o intestino e os rins, fazendo-o sentir dores fortes e definhar em cima de uma cama. Em meio a isso, Ivan Ilitch passa a refletir sobre as inúmeras decisões que tomou ao longo de sua vida, aflito com a áurea de angustia que o cerca e a incerteza de ter realmente vivido a vida da maneira certa. 

Em descrições agonizantes, vamos sentido na pela o definhar desse personagem num ambiente de indiferença familiar, em um casamento sem amor e falsas amizades. O personagem se pergunta e pergunta a deus o motivo disso ter acontecido, e assim vamos nos sentindo, como o personagem, um fardo na vida daqueles que esperam a morte de um marimbondo.
"Logo a seguir, no máximo um ano depois de seu casamento, Ivan Ilitch compreendeu que as relações conjugais, mesmo com certo conforto que proporcionavam não passavam, no fundo, de um negócio difícil e intricado no tocante ao qual, para cumprir seus deveres, ou seja, para levar uma vida conveniente e aprovada pela sociedade, ele teria de elaborar um método bem definido, igual àquele que aplicava ao seu serviço." p. 40
A segunda novela, Sonata a Kreutzer (1891) se passa durante uma viagem de trem, onde a conversa entre passageiros sobre o direito da mulher se casar por amor leva a um monólogo entre dois homens, em que um deles conta sua história ao narrador. O passageiro em questão que faz a confissão se chama Pozdnyshev, e conta como cometeu o assassinato de sua esposa por uma questão de “honra”. Ciumento, ele acreditava que sua mulher o estava traindo com um músico que tocava com ela. Um adultério imaginado para justificar e servir como desculpa para um assassinato motivado pelo ódio que carregava pela esposa.

É um olhar bem pessimista, com ideais cristãos, sobre amor e casamento, com ideias que vão mostra os relacionamentos com fases de amor, passando por traição, brigas até chegar ao fim num desenlace trágico onde o casal vai se odiar. Além disso, há uma forte crítica ao casamento tradicional do século XIX, onde é mostrado que esse amor para a vida toda não existe.

No período em que o livro foi publicado, causou um grande escândalo, inclusive sendo proibido na Rússia e impedido de ser distribuído nos Estados Unidos. Apesar dessa visão misógina sobre amor, casamento,  a sexualidade feminina (a obra chega a dizer que mulheres agem como prostitutas), entre outros, devemos olhar o livro a partir de seu período de publicação, embora atualmente sejam ideias ultrapassadas.

O Padre Sêrgui (1911) é a novela que fecha o livro e assim como na anterior, também é bebida por fortes ideais religiosos. Aqui, um vamos conhecer o jovem príncipe Stepan Kasatsky, que tinha um futuro promissor. Mas no dia do seu casamento com a condessa Maria Korotkova, ele descobre que a mesma já tinha tido relações com Nicolau I, o Czar da Rússia. Motivado por seu orgulho, ele abandona a esposa e resolve seguir sua vida num a , abdicando de tudo em busca de uma vida sem luxos e se tornando monge.Assim, ele busca se dedicar totalmente a Deus e as causas da igreja. No entanto, um episodio após o carnaval, o faz ganhar fama de milagreiro. Mesmo ele sabendo que por dentro os seus desejos ainda são mundanos.

Assim como a primeira novela, esse conto também é sobre a busca do sentido da vida. E aqui é através do amor ao próximo que vemos o personagem encontrando uma motivação para viver. Tolstoi revela uma forte crítica a Igreja Ortodoxa da Russia, e mostra que a salvação não está em se enfiar dentro de uma igreja, mas em quem contribui para acabar com os males do mundo.

As três novelas filosóficas de Tolstoi são um deleite de leitura e uma bela porta de entrada para a obra de um dos mais aclamados autores russos. Nessas histórias ele consegue mexer conosco por meio de três personagens masculinos, cada qual com suas idiossincrasias e dilemas de diferentes, nos fazendo refletir sobre, entre outros temas, a vida e o nosso fim; Será que estamos vivendo da maneira correta? Em prol de quê? Por quê? O que buscamos com nossa existência? Todos os textos escritos com habilidade e concisão que são imprescindíveis para qualquer leitor.

Sobre o autor:

Leon Tolstói nasceu peto de Moscou em 1828, em uma familia nobre da Russia. Após deixar a universidade Kazan precocemente, levou uma vida desregrada em Moscou e em São Petersburgo, contraindo grandes dividas de jogo. Viajou pela Europa de 1860 a 1861, onde conheceu o romancista Victor Hugo e o pensador politico Pierre-Joseph Proudhon. Ambos o inspiraram a retornar a Russia para escrever e educar os mais pobre. Em 1862, ele casou-se com Sophia Andreevna Behrs, com quem teve 13 filhos. Ela quem administrava os assuntos financeiros da familia, embora o casamento fosse infeliz. Após completar guerra e anna, ele buscou a verdade espiritual e moral por meio de seu cristianismo e aderiu ao pacifismo influenciando lideres como Gahndi e Martin Luther King. Morreu de pneumonia em 1910, aos 82 anos. 

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