A pequena grande vida de 'Stoner' [John Williams]

     Embora tenha sido publicado em 1965, foi só em meados de 2003, quando a New York Review Books republicou a obra, que ela obteve o  estrondoso sucesso que merecia. O livro, que já em seu primeiro parágrafo traz toda a vida do personagem central, nos impõem a relutar em continuar a leitura de um livro que revela tudo de imediato. Embora haja essa relutância, continuar é sem dúvidas a melhor opção que você poderá fazer em sua vida literária.
Como você começar a leitura de Stoner.


     William Stoner é de uma pacata família do estado do Missouri, onde mora numa fazenda próxima da vila de Booneville com seus sofridos pais que vivem da agricultura, capinando milho. Quando ele completa o ensino médio, em 1910, ao contrário do que esperava – ter mais trabalho no campo –, é enviado por seus pais à Colúmbia para estudar na Faculdade de Ciências Agrária. Com um orçamento curto, Stoner é obrigado a trabalhar na casa onde irá morar para ajudar nas despesas. No entanto, durante o primeiro ano de faculdade, o jovem se apaixona por uma disciplina de literatura, e muda de curso sem avisar a nenhum familiar. Mudança pela qual a vida do jovem é guiada até os últimos dias de sua vida. Logo conclui o curso e, consequentemente, oito anos depois em plena Primeira Guerra Mundial, consegue o doutorado e assume o cargo na mesma universidade onde estudou.

     Esse é o começo da trajetória de um homem simples, que logo se apaixona, tem de um casamento lastimável que resulta numa filha pela qual nutre um amor incondicional e faz o que ama na vida: ensinar. Sua vida é composta por apenas dois grandes amigos e um único verdadeiro amor.
"Em seu quadragésimo terceiro ano, William Stoner aprendeu o que outros, muito mais jovens que ele, haviam aprendido antes dele: que a pessoa a quem se ama no começo não é a pessoa que enfim se ama, e que o amor não é um fim, mas um processo através do qual uma pessoa experimenta conhecer outra." p. 213
     O casamento, que a principio nascera de uma paixão, logo se torna um fardo em sua vida. Edith, sua esposa, é uma personagem profunda, que não revela o seu passado, mas que demonstra ter sofrido alguma espécie de trauma que a tornou uma mulher enferma, com transtornos psicológicos e um temperamento difícil de lidar e até mesmo compreender. Embora esse casamento seja também um enfado para ela, onde inferniza a vida do esposo, poucas iniciativas toma para mudar sua realidade, talvez por medo da sociedade da época, que recriminavam mais do que hoje as mulheres divorciadas. Em paralelo, Stoner é um personagem que pouco se importa com o rumo que a relação deles toma, e o amor que nutria pela esposa se mostrou uma atração nunca correspondida e que já não existe mais. Quem mais sofre com as consequências desse relacionamento baseado em poucos diálogos, camas separadas e um ambiente de tensões, é Grace, a filha que recebe uma dura criação pela mãe (motivada por uma necessidade de afastá-la do pai) e a pouca atenção que o pai consegue lhe dar, embora ele quisesse que fosse mais.

     Embora não tenha tido sucesso no casamento, o que mais deixa Stoner realizado é estar em ambiente educacional. Se tem uma frase que possa definir a existência dele é "viveu e ensinou". Ele é apaixonado por isso e viveu em função de enaltecer o que fazia, nunca deixando os princípios, seu compromisso com a academia, em funções de ameaças. Tendo que por de lado até um amor verdadeiro em troca de sua profissão.
"O amor pela literatura, pela língua, pelo mistério da mente e do coração, mostrando-se nas pequenas, estranhas e inesperadas combinações de letras e palavras, nos caracteres negros e frios impressos sobre o papel, e aquele amor que escondera como se fosse ilícito e perigoso começou a expressar-se, hesitantemente a principio, depois ousadamente, e por fim orgulhosamente." p. 124
   
     Apesar da sinopse pouco instigante por contar a vida do personagem central, essa é uma história simples que tem uma escrita potente, indo em contracorrente com autores que tem boas histórias e uma escrita complicada de se ler que acabam afastando emocionalmente o leitor da história em si. Aqui, conseguimos sentir o enfado que Stoner carrega, sua passividade com o mundo e uma maneira calma de aceitar com tranquilidade tudo o que lhe vem, como se nada disso importasse de verdade. E realmente não importa, porque no fim das contas o que resta é apenas as poucas marcas de nossa presença neste mundo e enquanto a isso não há muito a se fazer. Por outro lado, através dessa figura que levou uma vida desprovida de grandes felicidades – entrementes o conceito de felicidade seja algo relativo –, conseguimos ser afetados e mudados, nem que seja uma mudança do tamanho de um grão de areia; aprendemos a não levar uma vida da qual Stoner levou, aprendemos que é necessário nos impormos e, claro, irmos atrás daquilo que queremos. No entanto, isso é extremamente incerto pra Stoner porque para ele, vindo de uma família tão simples, de uma comunidade tão pequena e isolada, que qualquer coisa já é melhor do que nada e muitos, principalmente aqueles que possuem mais conhecimento de mundo, se aproveitarão dessa inocência que as pessoas de sentimentos singelos possuem.
Como você termina a leitura de Stoner.

     Stoner, de John Willams já é o melhor livro lido de 2018, e dificilmente outro livro tomará esse posto Ele tem todos os elementos de uma história emocionante. Consegue nos conduzir por sentimentos de tristeza, raiva, revolta e no fim uma tranquilidade aceitável. E a pergunta que não quer calar é: como uma história tão simples pode dizer tanto, isso é bem claro: porque é uma história de um homem comum passível de grande identificação, afinal, também somos pessoas comuns, de alguma forma iguais ao Stoner.

     Aceitem o meu pedido e leiam!

x.x.x


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Ficha técnica 


Título: Stoner
Título originalStoner (1965)
Autor: John Williams
Tradução: Marcos Maffei
Editora: Rádio Londres
Ano: 2015
ISBN: 978-8567861-14-2
Gênero: Romance norte-americano / literatura americana /
Páginas: 320

Avaliação: 

Resenha de número 370

5 comentários:

  1. Olá!
    Parece ser um livro bastante profundo e informativo, fiquei bem instigada a ler, por isso aceito de bom grado seu pedido, vou pesquisar valor de compra.
    Parabéns pela resenha. Bjs

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  2. Olá!
    Um livro interessante e profundo, a trajetória de uma pessoa cheio de percalços é no minimo envolvente e marcante. Gostei de conhecer um pouco da obra.Ótima dica!
    Nizete
    Cia do Leitor

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  3. Eu curto umas leituras mais profundas, densas e esse livro parece ser bem interessante. Com certeza vou ficar de olho nele, caso encontre alguma promoção e tal :) Os Delírios Literários de Lex

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  4. Olá
    uau já achou seu melhor de 2018, que sensacional. Não conhecia a obra mas com certeza quero ler depois do que vc disse e das curiosidades do livro, excelente resenha, super completa, adorei a dica e que vc tenha leituras tão boas como essa até o fim do ano

    beijos
    http://www.prismaliterario.com.br/

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  5. Oiee o/
    Sempre que leio uma resenha dessa obra eu tenho certeza que preciso ler ela, desde o ano passado eu ando curiosa com essa história mas ainda não tive chance de ler =/

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