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Resenha #368: Crônica do Pássaro de Corda - Haruki Murakami

Título: Crônica do Pássaro de Corda
Título original: ねじまき鳥クロニクル Nejimakitori Kuronikuru (1995)
Autor: Haruki Murakami
Tradução: Eunice Suenaga
Editora: Alfaguara
Ano: 2017
ISBN: 9788556520562
Gênero: Romance japonês/ literatura japonesa / realismo mágico
Páginas: 768
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Avaliação: 



Resenha


Haruki Murakami (Kyoto, 1949) é um autor japonês contemporâneo que possui mais de  quinze obras traduzidas para o português que se enveredam pelo romance, conto e ensaio. Não é por menos, o autor é traduzido par mais de 40 idiomas e recebeu diversos prêmios como o Hans Christian Andersen, o Franz Kafka Prize e o Yomiuri. Sendo esse último recebido por Crônica do Pássaro de Corda, seu último livro publicado no Brasil, um dos mais prestigiados pela crítica e lançado há mais de 23 anos divididos em três partes, entre os anos de 1994 e 1995, e que estão reunidos o volume lançado pela Editora Alfaguara. 
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A crônica é uma compilação de fatos históricos organizados segundo a ordem de sucessão do tempo, pelo menos assim nos apresenta um dos personagens de Crônica do Pássaro de Corda, livro grandioso e pelo número de acontecimentos, pouco fácil de explicar em poucas palavras.

Na primeira parte da obra, conhecemos o narrador Toru Okada, um homem simples, que abandonou o trabalho em uma agência de advocacia. Mesmo formado em Direito, e aos 30 anos, Okada nunca foi um amante da área e sair do trabalho é uma forma de escapar do estresse. Ele vive com sua mulher, Kumiko, que trabalha em uma revista e não se importa que o esposo tenha abandonado o emprego para se dedicar ao lar. A vida do casal é simples, e eles moram numa região tranquila com o gato Noboru Wataya, que por coincidência é o mesmo nome do irmão de Kumiko: um jovem politico em ascensão, mas que é um sujeito asqueroso por dentro. 

As amenidades mudam quando Okada recebe a Incumbência de procurar o gato que há tempos desapareceu sem deixar rastros, e como ele é muito querido pelo casal, Kumico sugere que Okada o procura pelos arredores no bairro.
edição japonesa em três volumes (fonte: google)
A partir do sumiço do gato, a vida de Toru Okada toma um rumo esquisito até mesmo para ele.  Ele passou a receber ligações de uma mulher estranha e desconhecida. Conheceu uma garota curiosa ao adentrar no terreno da casa abananada na vizinhança e descobriu que  que seu cunhado havia violentado Creta Kano, a irmã mais nova e aprendiz de Malta Kano, uma espécie de médium consultada por Kumiko para encontrar o gato desaparecido. Mas por que será que fatos tão desconexos estão acontecendo ao pacifico Toru Okada? Como se não bastassem esses acontecimentos, relatos da Invasão japonesa da Manchúria e os conflitos entre o Japão e a União Soviética durante os anos 1930, passaram também a rondar a sua vida.

É a partir do sumiço do do gato que todos os fatos se sucedem na narrativa de Crônica do Pássaro de Corda. É como se a figura do animal fosse responsável por dar sustentabilidade não só a trama criada por Murakami, mas também, e principalmente, assegura a relação entre o Toru e Kumiko, assim como um filho que eles nunca tiveram. Em outras palavras, assim como o pássaro que dá corda no mundo e o faz funcionar, o gato regula as engrenagens dessa narrativa. Embora, em boa parte da narrativa essa figura esteja ausente e sem muitas participações tidas como importantes, o que não some é o desejo de um marido apaixonado em busca da amada perdida.
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Mesmo assim, não parece ser realmente o gato que une as histórias que o autor vai nos revelando ao longo das muitas páginas, os personagens se ligam por meio de algo mais mistico e é aqui que entra o realismo mágico do autor, onde pessoas possuem poderes sobrenaturais de cura ou são sensitivas a momentos futuros. E outras estão ligadas por meio de uma mancha escura que aparece abruptamente, só que um pouco diferente da mancha que é apresentada em Atlas de Nuvens, escrito pelo britânico David Mitchell, e que foi publicado bem depois em 2004 (Seria uma inspiração?).

Leia também a resenha de Atlas de Nuvens - David Mitchell 

É na terceira parte do livro que as principais perguntas são respondidas. O ritmo de leitura acelera decorrente do clima de tensão criado em um ambiente dúbio que poe em cheque os limites da realidade. A linha entre dois mundo distantes e interligados é tênue, a mudança em um causa consequências no outro.  É nesta parte que Toru Okada, o personagem se deixa levar ainda mais pela correnteza, e se mostra corajoso ao lidar com os dilemas e lutas que enfrente durante essa busca, aceitando as estranhezas que lhe ocorre como um herói. 

Crônica do Pássaro de Corda é um livro extremamente envolvente que fala de solidão, amor, sonhos e a forte violência das guerras — sem poupar detalhes que gelar a alma.

Ler essa obra foi uma experiencia gratificante e única. A todo instante o autor consegue nos manter presos na trama e arranja formas de nos manter absortos, seja através do plot simples e inicial, passando pelas grandes histórias dos seus personagens, que na maioria das vezes são interrompidas e intercaladas em capítulos futuros. 

São personagens peculiares e todos têm suas histórias contadas. Exceto May Kasahara, talvez por ser uma jovem de 17 anos que não tem tantas vivencias. Mas não se engane, apesar da idade, ela é uma das personagens mais maduras da trama, e fácil de se simpatizar. Entre as conversas que ela tem com Toru, os temas geralmente envolvem questões da vida e da morte, o que torna ela uma personagem com a qual nos identificamos sem perceber. 
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No geral, a obra surpreende muito com seu estilo fácil de leitura e uma estrutura criada para prender o leitor. Embora seja um livro grande, não o lemos como se fosse um fardo em nossa vida, mas como Toru, ficamos entre um dilema: Terminar logo e solucionar os problemas do personagem central ou frear a leitura e aproveitar mais a história... porque sabemos que esses personagens irão deixar saudades. Com toda certeza, um livro para a vida. E se você chegou até aqui: Leia Crônica do Pássaro de Corda.


E você, qual obra do Haruki Murakami leu ou pretende ler?
Conhece algum outro autor japonês? Indica nos comentários!

Até mais,
Pedro Silva


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