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Resenha #362: O ovo do Barba-Azul - Margaret Atwood

O Ovo Da Barba Azul
Título: O ovo do Barba-Azul
Título original: Bluebeard's Egg
Autor: Margaret Atwood
Tradução: Carlos Ramires
Editora: Rocco.
Edição: 1
ISBN: 978-85-325-2992-3
Gênero: Contos
Ano: 2016
Página: 288
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Avaliação: 





Resenha



Margaret Atwood é uma das autoras mais inventivas que já li nos últimos tempos. Por esse motivo se tornou uma das minhas escritoras preferidas. Aqui no blog você encontra as resenhas de O Conto da Aia, Vulgo Grace, Payback e Dicas da Imensidão. Hoje vamos conversar sobre mais uma coletânea de contos: O Ovo do Barba-Azul, publicado originalmente em 1987, mas só em 2016 traduzido pela Rocco.
A obra reúne 12 contos de temas distintos como morte, casamento, família, traição e sexo, mas que se encontram em relações amorosas, sejam aquelas que estão começando, se quebrando ou já consolidadas pelo tempo, mesmo que essas sejam por conveniência.
"Prefere dois homens a um só: a dualidade as coisas. Gosta dos dois, quer os dois; o que, em certos dias, faz com que não ame nem queria nenhum deles."
Dos contos, podemos destacar "O ovo do Barba-Azul", que traz um homem que mora em rico um palácio. Ele já casou várias vezes, e inexplicavelmente suas esposas desaparecem. Até que a mais nova esposa recebe dele um molho de chave com a advertência de que ela não deve entrar em nenhum quarto, exceto o que estão. Na ausência do marido, a jovem descumpre o mandamento e o que encontra no quarto é de atormentar qualquer um. Penduradas e degoladas, todas as esposas estão naquele ambiente. Esse reconto mostra um casamento que se afunda até a morte e trata da violência contra a mulher. "A Íbis Escarlate", é outro conto que também aborda a questão do casamento de um ponto de vista mais delicado.
"Loulou, ou, a vida doméstica da linguagem" uma jovem oleira sustenta uma casa repleta de poetas com quem já se relacionou, e que são dependentes dela. Tanto é que ela é a única que traz algum dinheiro para a casa. Esses homens nunca a respeitaram, e mesmo dentro da casa dela, parecem não ter nenhum pudor ou vergonha de não contribuir. 

Curiosamente "Duas histórias de Emma" traz duas narrativas com a mesma protagonista. Na primeira uma experiência traumática que a tornou forte, na segunda a vida que deu coragem, dá um freada e lhe mostra que a coisa é mais séria do que ela acha, e que não somos invencíveis.

A obra possui uma escrita sofisticada, rica, mas sem perder o bom humor. Os contos são todos muito bem trabalhados, afinal a autora consegue nos prender ao narrar as histórias não só do momento presente do enredo, mas ela constrói contos com base e profundidade que transmite a humanidade de seus personagens.
É impossível não se encantar, se emocionar ou se envolver com todos os contos aqui trazidos. Certamente, Margaret Atwood escreve contos com prazer e não para vendê-los, coisa que outros autores parecem fazer. Pelo contrário, Atwood entrega uma obra complexa e cheia de camadas. Uma leitura excelente tanto para ser amantes, quanto para novos leitores que desejam conhecer a autora mas não sabem por onde começar.

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