Margaret Atwood é uma das autoras mais inventivas que já li nos últimos tempos. Por esse motivo se tornou uma das minhas escritoras preferidas. Aqui no blog você encontra as resenhas de O Conto da Aia, Vulgo Grace, Payback e Dicas da Imensidão. Hoje vamos conversar sobre mais uma coletânea de contos: O Ovo do Barba-Azul, publicado originalmente em 1987, mas só em 2016 traduzido pela Rocco.
"Prefere dois homens a um só: a dualidade as coisas. Gosta dos dois, quer os dois; o que, em certos dias, faz com que não ame nem queria nenhum deles."
Dos contos, podemos destacar "O ovo do Barba-Azul", que traz um homem que mora em rico um palácio. Ele já casou várias vezes, e inexplicavelmente suas esposas desaparecem. Até que a mais nova esposa recebe dele um molho de chave com a advertência de que ela não deve entrar em nenhum quarto, exceto o que estão. Na ausência do marido, a jovem descumpre o mandamento e o que encontra no quarto é de atormentar qualquer um. Penduradas e degoladas, todas as esposas estão naquele ambiente. Esse reconto mostra um casamento que se afunda até a morte e trata da violência contra a mulher. "A Íbis Escarlate", é outro conto que também aborda a questão do casamento de um ponto de vista mais delicado.
"Loulou, ou, a vida doméstica da linguagem" uma jovem oleira sustenta uma casa repleta de poetas com quem já se relacionou, e que são dependentes dela. Tanto é que ela é a única que traz algum dinheiro para a casa. Esses homens nunca a respeitaram, e mesmo dentro da casa dela, parecem não ter nenhum pudor ou vergonha de não contribuir.
Curiosamente "Duas histórias de Emma" traz duas narrativas com a mesma protagonista. Na primeira uma experiência traumática que a tornou forte, na segunda a vida que deu coragem, dá um freada e lhe mostra que a coisa é mais séria do que ela acha, e que não somos invencíveis.
A obra possui uma escrita sofisticada, rica, mas sem perder o bom humor. Os contos são todos muito bem trabalhados, afinal a autora consegue nos prender ao narrar as histórias não só do momento presente do enredo, mas ela constrói contos com base e profundidade que transmite a humanidade de seus personagens.
É impossível não se encantar, se emocionar ou se envolver com todos os contos aqui trazidos. Certamente, Margaret Atwood escreve contos com prazer e não para vendê-los, coisa que outros autores parecem fazer. Pelo contrário, Atwood entrega uma obra complexa e cheia de camadas. Uma leitura excelente tanto para ser amantes, quanto para novos leitores que desejam conhecer a autora mas não sabem por onde começar.
0 Comentários
Obrigado pelo seu comentário!