Os 13 porquêsEdição: 1
Editora: Ática
ISBN: 9788508126651
Ano: 2009
Páginas: 256
Tradutor: José Augusto Lemos

Sinopse: Ao voltar da escola, Clay Jensen encontra um misterioso pacote com várias fitas cassetes. Ele ouve as gravações e se dá conta de que foram feitas por uma colega de classe que cometeu suicídio duas semanas antes. Nas fitas, ela explica que 13 motivos a levaram à decisão de se matar. Clay é um deles. Agora ele precisa ouvir tudo até o fim para descobrir como contribuiu para esse trágico acontecimento.

    Avaliação pessoal:     

                                                             


Resenha

Em Os 13 Porquês, temos uma narração em primeira pessoa e que, no entanto, também é simultânea, isso mesmo, simultânea: Em um dos lados, através das fitas, temos Hannah Baker, uma adolescente conturbada que cometeu suicídio por ingestão de um coquetel de medicamentos. Já do lado — dos vivos — temos o Clay Jensen, um jovem rapaz que teve como primeiro amor a Hannah, e que ao decorrer do livro procura entender quais o motivos do suicídio e onde ele se encaixa nesta história.

Há treze motivos que levaram essa garota a cometer suicídio, mas antes de realizar este ato, ela simplesmente gravou sete fitas cassete (lado A e B) explicando detalhadamente os reais motivos que a levaram a tomar esta decisão. Tais fitas se encontram dentro de uma caixa que são endereçadas à pessoas que, de uma forma ou de outra, tem culpa no cartório pela morte dela. E há apenas uma regra: depois de escutar o seu motivo, passe as fitas para o nome posterior ao seu.

Uma coisa que achei legal é que no livro há os símbolos de play, pause e stop que nos notificam quando Clay aperta os respectivos botões. Já quando a Hannah está falando, as letras se encontram em itálico, para que possamos diferenciá-la do
Clay. 
Por ler a sinopse descobri que a garota já tinha morrido e que iria se explicar através das fitas, foram esses os motivos que me levaram a ler o livro. Pensei que por se tratar de morte e conflitos adolescentes, o livro fosse me trazer tristeza, mas não, nem me causaram tristeza e nem muito menos felicidade.

Ao meu ver Hannah foi uma tola ao cometer suicídio, até porque não tinha motivos para isso e os seus porquês, aparentemente são superficiais. Sim, isso em minha concepção, no entanto, não sabemos o que se passa na vida de outras pessoas, principalmente no interior de cada uma delas e é ali, escondido que está o grande peso para que elas tomem suas decisões.

"Eu queria contar tudo pra você. E isso machucava, porque algumas coisas eram assustadoras demais. Algumas coisas nem eu entendia. Como poderia contar a alguém - alguém com quem eu estava conversando pra valer, pela primeira vez -tudo o que eu estava pensando? Eu não conseguia. Era cedo demais. Ou talvez,fosse tarde demais."

Imagine-se como um(a) adolescente, cheio(a) de conflitos e além disso, com boatos que na realidade não são verídicos. Pessoas te olhando e te tratando como um pedaço de carne, só porque tens uma parte do corpo bonita, e ainda ter que se encaixar em algum grupo de sua escola. Imaginou? Ninguém, creio eu, gosta dessas coisas.
É errado julgar sem conhecer, digo, sem conhecer o que alguém passou e passa.
Analisando bem o livro, notamos que ela poderia ter pedido ajuda, tinha gente disposta a ajudar. Até eu queria ajudar, só que não é tão simples, enquanto acompanhemos as fitas, Clay se dá conta de que ele poderia ter agido diferente, ter se aproximado dela e até virar amigos, no entanto, ele acabou se sufocado pelo medo de se aproximas dela. Hannah se viu só e com os seus tantos problemas já insuportáveis, e numa decisão determinada, escolheu acabar com a vida.

"Era exatamente isso que eu queria para mim. Queria que as pessoas confiassem em mim, apesar de qualquer coisa que tivessem ouvido. E, mais do que isso, queria que me conhecessem. Não aquilo que pensavam saber a meu respeito. Mas eu de verdade."

Os “Os 13 porquês” é um romance bem diferente do tradicional. O autor mistura suspense, morte e intriga, e o resultado é um livros com um clima dramático que envolve e cativa o leitor até o final e que nos deixa desejando que o rumo da história mude, mesmo sabendo que isso não acontecerá.

Jay Asher nos passar a mensagem de que não sabemos qual é o nosso valor e importância na vida de pessoas que estão ao nosso lado e de o quanto as afetamos com os nossos atos, mesmos que sejam atos, aparentemente, insignificantes.



Até breve,