Lido em: Fevereiro de 2016
Título: O Leitor do Trem das 6h27
Autor: Jean-Paul Didierlaurent
Editora: Intrínseca
Gênero: Ficção
Ano: 2015
Páginas: 176

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Avaliação:



Resenha:

O leitor do trem das 6h27, mais conhecido como Guylain Vignolles, é um personagem solitário, que vive com o seu companheiro Rouget de Lisle, um peixe dourado, e que está em busca de um sentido para a vida. Todas as manhãs, acorda cedo e segue em direção à estação de trem, onde pega a locomotiva em direção ao trabalho. Senta-se sempre na mesma poltrona, onde em voz alta lê fragmentos de livros que guarda em sua bolsa. Não importa se é uma receita ou um livro histórico: todo dia há algo novo para ser lido.

Guylain desempenha uma função um tanto quanto desagradável: operar uma enorme máquina, chamada Zerstor 500, que simplesmente dilacera livros. Toneladas e mais toneladas de folhas são engolidas por dia, que ao fim do processo de reciclagem se reduzem a uma pasta cinzenta, que dará origem a novos livros. Nosso protagonista tem apenas dois amigos: um senhor que possui as duas pernas amputadas, graças a Zerstor 500, e o porteiro da fábrica que só fala em versos alexandrinos, também conhecidos como dodecassílabo.


Precisei rapidamente me render à evidência de que as pessoas em geral só esperam uma coisa: que você ofereça a imagem daquilo que elas querem que você seja. E reprovavam especialmente a imagem que eu propunha a elas.

Repleto de humor, passagens reflexivas e altos e baixos sentimentais, Jean-Paul Diderlaurent faz com que nos sintamos em uma montanha-russa de emoções. Embora o livro seja curto, nos apegamos de forma singular ao protagonista do enredo, e embarcamos com ele em sua busca frenética por algo que, de início, parecia impossível. O autor consegue também nos mostrar as formas e o grau de importância da literatura na vida das pessoas. É simplesmente genial a desenvoltura que Jean-Paul possui em sua narrativa.

Gosto desse momento em particular, quando o mundo parece suspender seu curso, enquanto faz sua escolha entre a luz do dia nascente e a escuridão da noite que morre. Digo a mim mesmo que talvez um dia a Terra não vai retomar sua rotação e se imobilizará para sempre enquanto a noite e o dia se instalarão, cada um deles em sua respectiva posição, mergulhando-nos numa aurora permanente. Digo a mim mesma, então, que, banhadas nessa luz crepuscular que dá um tom pastel a tudo, as guerras serão talvez menos horríveis; as fomes, menos insuportáveis; a paz, mais durável; as manhãs em que se dorme até tarde, mas insípidas; as noitadas, mais longas. E só o branco das minhas cerâmicas não mudará, seu brilho será conservado sob a luz fraca dos neóns.


A edição da Editora Intrínseca está impecável. A capa apresenta uma textura diferenciada. As folhas são amareladas, o que facilita na hora da leitura, e a guarda é totalmente customizada. Entretanto, há algo que vale à pena ser ressaltado: o livro apresenta um tamanho totalmente diferenciado, quase que em estilo "de bolso". O marcador de página confeccionado, porém, não acompanhou forma física do exemplar; foi impresso no tamanho de um livro comum. Achei isso um tanto quanto estranho, mas nada que tire o brilho singelo dessa obra exemplar.

Até logo,
Sérgio H.