Lido em: Maio de 2015
Título: Flores de Ruína
Título original: Fleurs de ruine
Autor: Patrick Modiano
Editora: Record
Gênero: Romance Estrangeiro / Memórias
Ano: 2015
Páginas: 144


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Avaliação:  



Resenha:

Neste livro que mistura memórias do autor com elementos fictícios, vamos conhecer alguns núcleos de acontecimentos de acordo com o andar e olhar do narrador pelas ruas da França, à medida que o narrador lembra-se de um fato, ele vai relatando e puxando assunto, assim em uma conversa (leitor-personagem)  onde o foco são as memórias pessoais, como se o narrador quisesse deixar marcado o que aconteceu em sua juventude há muito passada.



São alguns os pontos principais que marcam o enredo. O primeiro é o aparentemente e estranho suicídio de um casal francês, em 1933 apos uma noite de festejos em boates. Em meados de 1964, temos um personagem de personalidade duvidosa e dupla, além de usar vários nomes Philippe de Bellune, Charles Lombard e Pacheco, aparenta esconder segredos e de ter ajudado a oposição durante o nazismo. Entre esses acontecimentos o narrador nos conta sobre a sua fuga de um orfanato, a relação com o pai, sobre a sua namorada Jacqueline e um pouco de sua vida acadêmica.
A narrativa - como podem perceber - é em primeira pessoa, o que dá ainda mais um tom de autobiografia. As paisagens descritas são ricas em descrições, onde podemos ver um amplo panorama da França de acordo com os olhos desse narrador que tem uma memora extremamente boa para recordar de tanto lugares, pontos comerciais e detalhes que às vezes são rapidamente esquecidos por meros mortais.

O livro é o segundo de uma trilogia e tem um desenvolvimento muito confuso, ele não possui capítulos, apenas algumas quebras, o que reforça a ideia de uma memória solta aqui e outra ali, deixando em muitos momentos o leitor perdido, afinal, aparentemente, algumas descrições são desnecessárias à história e que não fazem sentidos. Há também uma falta de conclusão tanto nos pontos principais quanto no livro de forma geral. O narrador, apesar de ter uma memoria boa para recordar de algumas coisas, acaba nos falando apenas do que se lembra, deixando as coisas "apagadas" e incertas.


Flores de Ruína era um livro bem esperado, mas que não conseguiu atingir às expectativas criadas em cima dele. É um livro curto com uma escrita boa e poética, mas o conteúdo não funcionou tanto comigo. Talvez seja realmente necessário ler a Trilogia Essencial (Remissão da Pena, Flores da Ruína e Primavera de Cão) completa para uma maior compreensão ou até mesmo um maior conhecimento da vida do Modiano. De qualquer forma, fica aqui a minha indicação do ganhador do prêmio Nobel de 2014, vale à pena conferir e tomar conhecimento.

Att,
Pedro Silva