Lido em: Fevereiro de 2015
Título: Os Defensores - Museu de Ladrões
Autora: Lian Tanner
Editora: Farol Literário
Gênero: Infanto-Juvenil
Ano: 2012
Páginas: 352


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Avaliação:   




Resenha:

Na cidade de Jewel, tudo acontece de forma "certinha" demais. As crianças, até terem doze anos de idade, são obrigadas a andar sempre acorrentadas aos seus pais ou Guardiões Abençoados, pessoas que trabalham de forma integral cuidando dos pequenos de toda a cidade. O motivo é simples: os adultos não querem que suas crianças corram perigos, de nenhuma forma que seja. Tesoura? Nem pensar! Andar sozinho? Você está maluco? E se mercadores de escravos te sequestrarem? Ao atingirem a idade designada, as crianças passam por um ritual de Separação, onde enfim conseguem se livrar das amarras.

Goldie Roth encontrava-se em êxtase, já que seu dia de ser separada havia chegado. Estava farta de andar acorrentada e de sofrer maus tratos de seus cuidadores: a Guardiã Esperança e o Guardião Consolo. Entretanto, algo inusitado acontece, deixando toda a cidade em estado de alerta e, consequentemente, interrompendo e cancelando o ritual. Irritada com toda a situação e com uma voz sussurrando incessantemente no interior de sua cabeça para que ela fuja dali, a garota consegue se libertar e tenta partir, sozinha, para a cidade vizinha, onde alguns de seus familiares moram; local onde não há regras tão severas como em Jewel. Com medo de ser pega pelos Guardiões Abençoados ou pela polícia, a garota se esgueira em cada canto da cidade e acaba sendo conduzida, inconscientemente, ao Museu de Dunt, local onde ela descobre coisas que nunca achou que, de fato, existiam.


Durante o decorrer da leitura, percebemos que o Museu não é como outro qualquer. Suas salas parecem todas iguais e se perder dentro dele é uma coisa fácil. Com um toque de fantasia (e magia), acompanhamos Goldie e Toadspit, personagens principais desse livro, em uma aventura sem precedentes pelo grande Museu de Dunt.

Comecei a leitura do meu exemplar sem muita expectativa e, de cara, acabei gostando da linguagem simples que o livro possui, Embora seja caracterizado como infanto-juvenil, conseguimos distinguir nele certos traços distópicos, onde podemos ler críticas sutis à sociedade, em especial aos pais super protetores e pessoas que, por medo e/ou criação, acabam prendendo psicologicamente as crianças e as impede de crescer. Outra crítica leve presente na obra é com relação a religião: a autora explicita que muitos a usam para fazer coisas em benefício próprio, sustentando suas vontades em nome de deuses.

Mesmo havendo em cada início de capítulo uma imagem dos personagens presentes no enredo, achei que a descrição por parte da autora ficou muito vaga, deixando o leitor sem uma imagem concreta de como seria Goldie, seus pais, os Guardiões ou qualquer outro personagem, seja principal ou secundário.

"- Claro que eu não estou dizendo que seja uma boa coisa dar responsabilidades tão pesadas a uma criança. Elas precisam ter o direito de ter infância. Mas também precisam ter a possibilidade de encontrar sua coragem e sua sabedoria e aprender quando enfrentar e quando fugir. Afinal de contas, se não tiverem permissão para subir em árvores, como vão poder enxergar o mundo tão grande e maravilhoso que se estende bem na sua frente?"



Os Defensores me pareceu uma mistura de três coisas que amo: distopia moderna, o filme "Uma noite no Museu" e os livros da série "Desventuras em série". Entretanto, o fato de se parecer com essas três coisas citadas acima não tirou, em momento algum, a originalidade da obra. Nunca vi nada do tipo no meio literário e devo afirmar que me surpreendi positivamente com o livro. 

Uma das coisas que mais chamou minha atenção durante o decorrer da leitura foi a capacidade que a autora possui em nos mostrar a evolução significativa e gradual de Goldie que, no início do livro, se mostrava uma menina medrosa e indefesa e, no término, uma guerreira nata, com poucos medos dentro de si.

O final do livro não deixa a desejar, já que é o primeiro de uma série. No entanto, muitas coisas não foram totalmente explicadas, deixando pontas soltas para o próximo volume. Estou ansioso para ler a continuação e saber se a autora, de fato, irá concluir os pensamentos que abriu no primeiro livro ou se infelizmente os deixará passar, admitindo trechos inacabados em sua obra.

"Eles tentaram paralisar a vida. Eles queriam estar completamente seguros e serem felizes o tempo todo. O problema é que o mundo não é assim . Não é possível que montanhas altas existam sem vales profundos. Não é possível ter grandes alegrias sem grandes tristezas. O mundo nunca está imóvel. Passa de uma coisa à outra, para frente e para trás, como uma borboleta que abre fecha suas asas."


Não se engane: Os Defensores - Museu de Ladrões não é apenas um livro infanto-juvenil. É uma obra repleta de passagens fortes, que fazem com que o leitor prenda a respiração de tanta aflição. Uma aventura inimaginável que nos ensina sobre coragem, amizade e, acima de tudo, amor por aquilo que acreditamos. Mas nem tudo são flores... morte, inveja e traição estão, aos montes, nesse pequeno e delicioso livro.

No quesito "qualidade do exemplar", a Farol Literário deixou um pouco a desejar. Embora todo o material interno do livro seja fantástico e a arte da capa inovadora, a ausência de orelhas me fez ficar um pouco desanimado, já que as extremidades acabam ficando um pouco desgastadas. No mais, gostaria de dizer que indico a leitura da obra para todas as idades e gêneros, mas em especial para aqueles que adoram uma boa aventura!

Até logo,
Sérgio H.