Lido em: Novembro de 2014
Título: Half Bad
Autora: Sally Green
Editora: Intrínseca
Gênero: Fantasia/Distopia
Ano: 2014
Páginas: 304

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Avaliação:   




Resenha


Nathan, um jovem Brux, foi rejeitado durante toda a sua vida. Sendo filho de uma bruxa da Luz e o mais poderoso, cruel e destemido bruxo das Sombras, o adolescente sempre sofreu preconceito e 'bullying' por ser filho de Marcus. Como a mãe se suicidou e o pai não quis saber dele, Nathan cresceu com a avó e os meio-irmãos, sendo visto como uma aberração por toda a sociedade de Bruxos. Isso se deu porque todo os bruxos da Sombra são considerados altamente perigosos e são caçados pelos bruxos da Luz.

Sendo o único com metade do seu sangue das Sombras e a outra metade da Luz (meio-código), o protagonista se vê ameaçado: o Conselho dos Bruxos da Luz o vê como um perigo iminente, que precisa ser domado e exterminado. Prestes a completar dezessete anos (período em que todos os brux passam por uma cerimônia para revelar seu dom e denominação como bruxo da Luz ou das Sombras), Nathan terá que correr contra o tempo e sair em uma busca frenética ao encontro de um realizador de sua cerimônia, alguém que lhe dê três presentes para, assim, libertar o seu poder.

E o tempo dele está acabando.




Com sua obra de estreia, Sally Green nos traz um enredo muito mais distópico que fantástico. O livro, que já é um sucesso mundial, possuía grande potencial para ser um dos best seller's mais comentados do ano, mas aos poucos foi se mostrando um livro que poderia ter sido melhor trabalhado em inúmeros quesitos.

Comecei a leitura com bastante expectativa, achando que tinha em mãos um bom livro de fantasia, imaginando uma história tão incrível quanto a de Harry Potter. Quebrei a cara. As cem primeiras páginas do livro são altamente convidativas e deixam o leitor em êxtase, querendo saber o que acontece em seguida. Porém, a medida que avançamos na leitura, percebemos que há um declínio notável na obra e sua qualidade cai consideravelmente. O que no início era instigante, torna-se clichê e altamente repetitivo durante o enredo.

Em muitos livros 'fantásticos' voltado ao público young-adult, os autores acabam focando muito na vida do personagem e esquecem de construir o mundo místico e cheio de bruxarias ao seu redor. Esse foi um dos MAIORES pecados da autora. A luta pessoal do Nathan e sua corrida contra o tempo e adversidades que aconteceram durante o enredo foram tão focadas que todo o resto ficou como um borrão.



A luta do bem contra o mal é marcada de forma explícita na obra. Entretanto, há uma crítica severa a isso. Sally expõe que nem sempre o bem é bom e o mal é ruim. Em inúmeras passagens conseguimos detectar traços de ódio e violência sem motivo provinda dos Bruxos da Luz. Essa violência gratuita, jogada em toda a obra, deixa o enredo um tanto quanto pesado demais. A tentativa que a autora realiza para nos fazer ficar com 'pena' de Nathan falha. O inverso (Bruxo da Sombra bom) também é notável, com o personagem Gabriel.

A escrita da autora é leve e indutiva. Os personagens, de maneira geral, são razoavelmente construídos. Há um número muito maior de personagens secundários que o necessário, mas isso não influencia diretamente na qualidade intelectual da obra.

A edição da Editora Intrínseca está fantástica. A arte da capa é bela e o material usado, de primeira qualidade. Não percebi nenhum erro ortográfico e/ou gramatical durante e leitura, o que nos mostra que a revisão também está excelente.

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