Lido em: Abril de 2016
Título: Arco de Virar Réu
Autor: Antonio Cestaro
Editora: Tordesilhas
Edição: 1
ISBN: 9788584190355
Gênero: Romance brasileiro
Ano: 2016
Páginas: 152


Avaliação: 





Resenha


Em O arco de virar réu, o Antonio Cestaro nos apresenta uma família composta por cinco membro e a desconstrução da mesma decorrente da doença do filho caçula. O pai morre, e a mãe se torna ausente. Pedro, começa a apresentar um quadro estranho de comportamento, se isolando e falando coisas sem nexo, a princípio tratado como algo relacionado a transição da adolescência para a vida adulta. Seu irmão (personagem narrador), o filho mais velho é um historiador social que tem ênfase em antropologia, já que adora estudar os costumes e conflitos dos índios tupinambás.


Ao longo do romance a crise do Pedro se agrava com o diagnóstico de esquizofrenia e o irmão mais velho tenta de todas ar formas buscar algum jeito de ajudar o Pedro, assim passa a fazer anotações do seu discurso. Mas o que o mais velho não contaria que a mesma doença que assolou o irmão caçula poderia um dia chegar a fazer o mesmo com ele.

Em uma narrativa cheia de digressões, Antônio Cestaro, nos conduz em numa trama embaraçada propositalmente para reproduzir a mente de um ser prestes a ter um colapso mental, misturando relatos, sonhos, costumes indígenas e as digressões.



Os capítulos são curtos e contribuem para a rapidez de leitura e a linguagem mais trabalhada deixa o texto mais gostoso de ser lido, sendo a narrativa em primeira pessoa pelo irmão mais velho.

A todo instante o que fica no ar é a incerteza do que estamos lendo, parece uma leitura feita em meio a tensão de se perder (e isso pode acontece) com um narrador que nos deixa desconfiados, afinal, será mesmo que o que ele está nos relatando é real? A linha pode ser bem tênue no quesito mente sã, ainda mais com alguém que não nos conta tudo de forma clara.

Esse foi meu primeiro contato com o autor, gostei da experiência e me surpreendi com a qualidade literária. Por mais que o Pedro não seja o personagem central, senti uma certa identificação com seu jeito isolado de ser. Outro personagem que chama a atenção é o Juca Bala, primo do narrador, é através dele que tomamos conhecimento do tempo histórico em que se inicia a obra: a década de 70. Além disso, esse primo quer se apropriar das histórias para transformar em um filme.



A edição da editora Tordesilhas está com um trabalho gráfico impecável. A fonte com tamanho agradável e folhas amarelada, já a capa recebe detalhes em verniz e cores que representam bem a esquizofrenia, doença presente durante a narrativa.


Até logo,
Pedro Silva