Lido em: Março de 2016
Título: Simon Vs. a Agenda Homo Sapiens
Autor: Becky Albertalli
Editora: Intrínseca
Gênero: Ficção
Ano: 2015
Páginas: 272

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Avaliação:






Resenha:

Gay. Esta é a palavra que Simon possui dificuldade em externalizar. Garoto adolescente comum de ensino médio, Simon  não se sente nada confortável com a ideia de "sair do armário": este é um drama que ele prefere deixar para depois. Em um dia como outro qualquer, vê no Tumblr uma mensagem que chama sua atenção. Trata-se de um pequeno texto publicado por Blue, um garoto misterioso que não revela sua identidade. Blue e nosso protagonista acabam se tornando "amigos virtuais", compartilhando momentos através de e-mails anônimos, não comprometendo assim suas identidades.

Tudo muda, entretanto, quando Martin, um garoto da sua escola, acaba descobrindo a troca de mensagens entre os dois garotos. Uma chantagem camuflada começa a pairar no ar e, para não ter seu segredo espalhado para todos, Simon decide ceder. Neste clima de desavenças, pressão psicológica e busca pelo amor perfeito, embarcamos nas problemáticas de uma vida adolescente.

Quando se sai do armário, não dá para voltar. É meio apavorante, não é? Sei que temos sorte de estarmos fazendo isso agora, e não vinte anos atrás, mas ainda é um ato de fé. É mais fácil do que pensei, mas, ao mesmo tempo, é bem mais difícil.


Desde que havia visto os primeiros anúncios de publicação deste livro no Brasil, através das redes sociais da Editora Intrínseca, fiquei encantado e com muita vontade de desfrutar desta leitura. Todos que me conhecem sabe o quanto amo um bom Young Adult recheado de dramas e reviravoltas, e devo salientar que este é, definitivamente, um livro assim. Becky Albertalli nos faz, em diversos momentos, refletir. A questão mais recorrente no livro, como já dito acima, é a de orientação sexual. Através do Simon, percebemos o quão desgastante pode ser para alguém ter que assumir um papel que não o convém, uma fachada bela enquanto toda a estrutura está em ruínas.

Simon não possui medo de se assumir homossexual. Na verdade, ele sabe que todos os seus amigos e familiares irão entendê-lo, aceitá-lo e amá-lo, acima de tudo. Entretanto, ele não entende o motivo de ter que se assumir, enquanto os meninos héteros não precisam fazer isto. Todos deveriam se assumir como algo, não é mesmo? 

No decorrer da narrativa, acompanhamos a amizade entre Blue e Simon crescer, as trocas de confidências, desejos e momentos no dia a dia de cada um deles. A interação, aos poucos, começa a crescer, e as conversas, bem como as necessidades, acabam mudando. Os dois meninos descobrem que estudam na mesma escola, mas não sabem quem o outro é. Simon começa então a confabular, tentando adivinhar quem seria o tão misterioso garoto. Devo admitir que também tentei adivinhar quem era, mas acabei errando! Amei a forma como a autora conseguiu camuflar os detalhes, nos apresentando um Blue que não imaginaríamos. Preconceitos, tabus e estereótipos são, um a um, quebrados no decorrer da narrativa.


- Quero segurar sua mão - digo, baixinho. 
Porque estamos em público. Porque não sei se ele saiu do armário. 
- Então segure - diz ele. 
E eu seguro.

Imaginei que o livro seria muito bom, mas me enganei: ele é excelente. Possuindo um linguajar de fácil compreensão e escrita simples, torna-se agradável "flutuar" por entre as páginas do exemplar. Literalmente, podemos ler este livro em "uma sentada". A edição da Editora Intrínseca está impecável, tanto a diagramação quanto a capa, tradução e todos os demais pontos que um livro pode ter. Recomendo este título à todos, em especial para àqueles que possuem pouco conhecimento sobre homossexuais e que, por ignorância (notem que não falo preconceito, mas realmente por falta de informação), acabam propagando discursos totalmente desagradáveis. Um livro belo e simples, mas ao mesmo tempo intenso e imprevisível. 

Até logo,
Sérgio Henrique