Lido em: Outubro de 2014
Título: Jogador N°1
Autor: Ernest Cline
Editora: LeYa Brasil
Gênero: Ficção
Ano: 2012
Páginas: 464


Adicione esse livro ao Skoob.


Avaliação:



Resenha


2044. O mundo encontra-se em uma grave e alarmante crise energética. O meio mais simples de adquirir energia é fazendo uso de painéis solares ou com a força mecânica. O caos se instalou em todo o globo e qualquer objeto de valor é ainda mais cobiçado por ladrões. A cada dia o índice de desemprego aumenta e a fome se alastra com uma rapidez sem precedentes. Para tentar aliviar um pouco a frustração de viver em um planeta assim, Halliday (também conhecido como Anorak) constrói um videogame de realidade virtual chamado OASIS. Inicialmente, o jogo era apenas uma diversão entre amigos, mas acabou crescendo e se tornou parte da vida da maioria (e por que não dizer todos?) dos seres humanos da Terra. No OASIS você pode ser quem ou o que quiser: um humano, elfo, vampiro, troll... Você pode estudar, se formar, casar, viajar, fazer amigos, ter relações sexuais; tudo que você teria na vida real, porém com uma única diferença: tudo seria de forma virtual, com outra pessoa que estivesse conectada ao jogo via internet. 

Estava tudo tranquilo, mas algo acontece para abalar as estruturas: o criador do game morre. E, como não possuía herdeiros, decide fazer uma caça ao tesouro: aquele que primeiro encontrar as três chaves (Cobre, Jade e Cristal) e passar pelos três portões será o dono de toda a sua fortuna, além de ter o comando do OASIS. Milhares de "caça-ovo" seguem as pistas deixadas por Halliday em busca da primeira chave. É aí que conhecemos Wade Watts, o personagem principal que iremos acompanhar nessa corrida maluca ao poder.

Senti medo durante toda a minha vida. Até eu saber que estava terminando. Foi quando eu percebi que, por mais assustadora e dolorosa que a realidade possa ser, é também o único lugar onde se pode encontrar a realidade de verdade. Porque a realidade é real. Entendeu?


reparem no #fail (maldito reflexo)

Em seu livro de estreia, Esnest Cline nos apresenta sua escrita leve e indutiva, que faz com que nós, leitores, devoremos as páginas sem nem nos darmos conta. A narrativa é fluida e instigante, acrescentando sempre fatos novos, que torna o enredo cada vez mais consistente e lógico.

Durante todo o enredo percebemos as fortes referências aos anos 80 (século em que Halliday cresceu e usou como tema para sua caça ao tesouro), que vão desde filmes/séries e jogos até bandas e livros. Há uma crítica severa àqueles que, nos dias de hoje, decidem se afastar da sociedade para passar cada vez mais tempo isolados perante um computador ou semelhante tecnológico. Ao finalizar a leitura, fiquei me perguntando: "por que demorei tanto para achar esse livro? Ele foi lançado aqui no Brasil em 2012, poxa!". Eis então a resposta: embora seja um livro muito bem avaliado, ele é pouco difundido em nosso território. Uma pena, já que em suas 464 altamente bem escritas encontramos um conteúdo inovador e que não deixa pontas soltas.

O que acontece depois da morte? Bem, não sabemos ao certo. Mas as evidências sugerem que não acontece nada. Você morre, seu cérebro para de funcionar e você some e deixa de fazer perguntas irritantes. Sabe as histórias que já escutou? Sobre ir para um lugar maravilhoso chamado 'céu', onde não há mais dor nem morte e você vive em um estado perpétuo de felicidade? Isso também é bobagem. Assim como toda a história sobre Deus. Não há provas de que o céu existe, e nunca houve. Inventamos isso também. Só uma quimera. Então agora você tem de viver pelo resto de sua vida sabendo que vai morrer um dia e desaparecer para sempre. Sinto muito.



O final, embora "previsível", acaba sendo alcançado de uma forma que nenhum leitor poderia imaginar. A aventura é altamente envolvente e nos prende com enorme facilidade. 

O exemplar é muito melhor do que eu achava que seria. O material usado na capa é de perfeita qualidade, bem como as folhas amareladas que fazem com que o leitor não se canse durante a viagem feita dentro do "OASIS" e todo o seu mundo futurista.