untitledTítulo Original: Looking for Alaska
Editora: Intrínseca
ISBN: 9788580575996
Ano: 2014
Páginas: 272
Tradutor: Edmundo Barreiros

Sinopse: Miles Halter leva uma vida sem graça e sem muitas emoções na Flórida. O garoto tem um gosto peculiar: memorizar as últimas palavras de grandes personalidades da história, e uma dessas personalidades, François Rabelais, um escritor do século XV, disse no leito de morte que ia em busca de um Grande Talvez. Para não ter que esperar o próprio fim para encontrar seu Grande Talvez, Miles decide fazer as malas e partir. Ele vai para um internato no ensolarado Alabama, onde conhece Alasca Young. Ela tem em seu livro preferido, O general em seu labirinto, de Gabriel García Márquez, a pergunta para a qual busca incessantemente uma resposta: Como vou sair desse labirinto? Miles se apaixona por Alasca, mesmo sem entendê-la, e o impacto da garota em sua vida é indelével.


Avaliação:   



Resenha




























O livro é narrado em primeira pessoa pelo adolescente Miles Halter. Ele não possui muitos amigos, e sua paixão, apesar de não ler muitos livros, é colecionar as frases que os grandes nomes pronunciaram antes de morrer. Já no inicio, Miles (que recebe o apelido de Bujão de forma irônica por ser muito magro), está saindo de casa para estudar em um colégio interno chamado Culver Creek – colégio esse que seu pai também estudou quando jovem –, motivado pela busca de "O grande talvez" (última frase do poeta François Rebelais), uma vez que ele acha sua vida um tanto quanto parada.


Como todo novato numa escola, ele já é recebido com um trote, onde mumificam ele com fita adesiva e o jogam no lago que fica nas proximidade do colégio. Sim, isso foi bastante hard (difícil) para um novato. Posteriormente, Bujão descobre que isso aconteceu graças a um pequeno desentendimento relacionados ao seu colega de quarto Coronel (já veterano na escola) e a a sua linda vizinha de quarto Alasca Young, uma moça muito inteligente, que, ao contrário de outras, não é nem um pouco previsível e tem uma pilha enorme de livros em seu quarto que ainda não os leu. Nesse colégio, além de conhecer o rapaz com quem vai dividir o quarto, Miles conhece outros dois adolescentes: o primeiro descendente de japonês chamado Takumi e a romena Lara.

E é com esses novos amigos que o Miles vai dividir as suas "últimas frases" favoritas, e descobrir que a Alasca está em busca de uma resposta para algo que ela leu em um livro do vencedor do nobel de 1982, de Gabriel García Márquez, intitulado O General em Seu Labirinto (1989):
“ – Está bem, Sr. Garoto das Últimas Palavras Famosas. Tenho outra para você. [...] Gabriel Garcia Márquez. O General Em Seu Labirinto. É um dos meus livros favoritos. É sobre Simón Bolívar. [...] É um romance – continuou – por isso não sei se é verdade, mas, no livro, sabe quais são as últimas palavras dele? Não, não sabe. Mas já vou lhe dizer, señor Observações de despedidas.
Então ela acendeu um cigarro e deu uma tragada tão forte e profunda que achei que ela fosse acabar de uma só vez. Ela soltou a fumaça e leu pra mim:
– Ele..., ou seja, Simón Bolívar - estava abalado pela revelação deslumbrante de que a corrida louca entre seus sonhos e infortunios naquele momento estivesse alcançando a linha de chegada. O resto eram trevas, "maldiçao", suspirou. "Como vou sair desse labirinto?"
Uma bela última fala, mas eu não tinha entendido direito.
–  O que é o labirinto? –  perguntei a ela.
Com a boca tão perto de mim que eu podia sentir o seu hálito, mas quente que o ar, Ela disse:
– Esse é o mistério, não é? O labirinto é o viver ou o morre? De qual deles ele está tentando escapar?" (Pág. 28 e 29)
Isso irá deixar o Miles com uma pulga atrás da orelha... E o que se sucede, eu deixo para vocês conferirem durante a leitura.



O livro é dividido em duas partes intituladas "Antes" e "Depois"... mas antes e depois de quê? Esse é um ponto que me deixou bastante curioso, e creio que deixará qualquer um que não tenha lido spoilers por aí também.

É inevitável dizer que John Green tem uma escrita fluida e que prende bastante o leitor em sua narrativa, daquelas bem agradáveis. E nesse livro não poderia ser diferente dos outros dois que já li do autor (A Culpa é das Estrelas e Cidades de Papel). Há passagens bem humoradas, cheias de ironias e que nos deixam gargalhando de verdade ao ler as situações em que os personagens se metem no decorrer da trama. Porém, na mesma medida que o autor soube ser engraçado, também soube ser sério ao tratar de expôr o íntimo de seus personagens. Fazendo isso, o tio Green não só nos deixa de coração na mão, como também com outra visão acerca dos mesmos.

Apesar disso, eu senti que em alguns momentos o autor, principalmente no "Depois", teve uma perda de ritmo  - não no sentido ruim - , porque o livro exige uma atenção maior do leitor nesse momento já que aquilo nos afeta e acabamos queremos encontrar uma explicação plausível.

"Quem é Você, Alasca?" não é um livro que eu recomendo para crianças, pois achei umas passagens pervertidas e outras com consumo de drogas, o que vejo como mal exemplo para leitores iniciantes. Tirando isso, o livro está mais do que recomendado para todos que gostam de uma história de ritmo bom.



Adaptação cinematográfica

Sim, o primeiro livro publicado pelo autor (em 2005) irá ganhar uma adaptação com roteiro e direção de Sarah Polley. Ainda não há uma data de estreia, nem elenco ou mais informações específicas sobre a produção do filme. Provavelmente será após a exibição de Cidades de Papel, filme também adaptado do livro homônimo(Ed. Intrínseca - 2013).

Vale salientar que a Paramount Pictures comprou os direitos da adaptação em 2005, e o roteiro até chegou a ser escrito por Josh Schwartz na época, no entanto, não passou disso. Hoje, com o sucesso estrondoso do livro/filme A Culpa é Das Estrelas (Ed. Intrínseca - 2012), os estúdios voltaram atrás e decidiram retomar a produção.