Lido em: Setembro de 2014
Título: Quem, Eu?
Autor: Fernando Aguzzoli
Editora: Belas-Letras
Gênero: Não Ficcional
Ano: 2014
Páginas: 240

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Avaliação:    


Resenha


Tomei conhecimento de alguns detalhes da história de Nilva Aguzzoli e seu neto através de matérias exibidas nas grandes mídias nacionais, e logo que soube da existência de uma página no Facebook voltada exclusivamente para postagem de momentos de interação entre os dois, além, é claro, de servir como suporte para outras famílias que se encontravam com o mesmo problema - o Alzheimer -, logo tomei a iniciativa de procurar a fã page e curti-la, para ficar sempre informado do que andava acontecendo na vida deles (na questão do progresso da doença e em como eles estava lidando com a situação) e para rir das peripécias que os dois andavam aprontando juntos!

Aos poucos, vendo os vídeos e fotos com mais frequência, fiquei cada vez mais apaixonado pela história de vida da e dedicação com que Fernando cuidava dela. Ao saber que os momentos juntos não ficariam apenas nas redes sociais, mas que se eternizariam na forma de um livro, fiquei extremamente feliz e decidi que iria comprar meu exemplar - o que não foi preciso, já que a Editora Belas-Letras, parceira do nosso blog, nos enviou um volume físico dessa bela e emocionante obra!

"[...] uma vida não é medida por coisas boas ou ruins que fazemos, mas por quantas pessoas atingimos e quantas multiplicam essas atitudes."


Bem, o livro começa falando um pouco sobre a trajetória de Nilva Aguzzoli no decorrer dos anos, começando, é claro, no seu nascimento. Ficamos a par de algumas histórias relevantes de sua vida que servem para entendermos alguns dos diálogos entre ela e seu neto mais adiante. Sempre com bastante humor - até nas horas mais sofríveis -, o "amorzinho da vó" levanta diversos questionamentos interessantes, tais como a falta de compaixão com o próximo - que muitas vezes acontece dentro da própria família - e em como lidar com uma questão tão delicada: um idoso com problemas mentais, mais especificamente com a doença de Alzheimer.  

Percebemos durante todo o enredo o amor incondicional que um sente pelo o outro. Durante toda a existência de Fernando, sua avó desempenhou um papel de segunda mãe para ele, sempre ativa em sua vida. Com o passar dos anos e a aparição dos sintomas da doença, ele decide então retribuir todo o cuidado, carinho e afeto que um dia a vó Nilva depositou nele. Largando então a universidade e os projetos de abertura de uma empresa, Fernando resolve se dedicar inteiramente aos cuidados que sua avó necessita, invertendo os papéis e agora passando a ser seu "pai".


"Nossa essência consiste em permitir que pessoas embarquem e desembarquem da nossa vida enquanto seguimos um determinado caminho. Alguns descem antes e outros ficam até o final da viagem, mas o nosso erro está em supervalorizar esses momentos de partida, e não a viagem em si."


Devo admitir que em muitos momentos tive que me segurar e tentar não deixar que os sentimentos falassem mais alto. Existem inúmeras passagens que, quando nos colocamos no lugar da família do autor, torna-se impossível não se emocionar. Saber que uma das pessoas que você mais ama no mundo em breve se esquecerá do seu nome, da sua fisionomia e de tudo aquilo que vocês passaram juntos é bem triste.

Porém, nas 240 páginas bem trabalhadas e escritas do exemplar, a única coisa que percebemos é amor e dedicação. Nem mesmo uma doença tão cruel pôde abalar uma relação tão sublime e verdadeira. 

Indo além de uma história de uma avó e um neto, "Quem, Eu?" é um ensinamento sobre sentimentos verdadeiros e compaixão para com o próximo. Com muita certeza, um livro que levarei em minha memória por toda a vida e que me fez enxergar com outros olhos uma doença tão séria e que, infelizmente, não possui cura.

"Alzheimer é muito mais que resgate da memória passada e perda da memória recente. Em uma sucinta explicação, ela caracteriza-se como uma doença crônica, progressiva e incurável que afeta a cognição do portador. Aqueles processos básicos que todos temos como automáticos (atenção, memória, julgamento moral, linguagem, criatividade, inteligência, capacidade motora...) sofrem interferência e depreciação, vítimas da doença."